sábado, 19 de dezembro de 2009

Padecer


Prestando atenção às chatices do dia, vi o quanto a falta de privacidade me incomoda. Altera-me quando não tenho. Acho chata essa imposição da vida de que nós, mulheres, mães, não temos direito a ela. Uma salva de palmas às raras mães/mulheres que deixam na mão dos homens as tarefas do dia a dia. Não só os enfadonhos ir e vir, mas também as paradas, tantas, para prestar atenção aos seus ao redor. Meu sonho de consumo. Eu dona de mim e mandante. Ele servo obediente.
Meu filho está de férias. Uma mãe sabe o que isso significa. Ao invés de paz em casa, tumulto. Parece ligado em bateria recarregável. Não para de falar, nem muito menos de pedir a atenção. E ai parece que cria um círculo vicioso - ou seria melhor dizer circo? - ao seu redor. Até o cachorro se vê no direito de me buscar. Perguntas como " o que vai ter de almoço" as nove horas da manhã, ou " o que vamos fazer hoje" por vezes, descontrolam-me. Sentada em frente ao computador, mil ideias a escrever , perco o chão. E a estribeira. Deve ser por isso que tomo tantos banhos nas férias, meus oásis.
Mas, enfim, a vida segue e eu me pergunto até quando. Dizem que filho criado, trabalho dobrado. Mas se me der tempo de me viver, já vai estar de bom tamanho.

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