terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Verdades

As férias sempre me trazem surpresas, seja nas pessoas que conheço, os caminhos que pego ou livros que leio. Não me disponho muito a ler durante o ano porque, também para ler o que não é de estudo, preciso de um silêncio interior que só acho nelas.
E desta vez acertaram em cheio: ganhei um livro de presente que, para minha surpresa, está me encantando. Trata-se de "Mulheres cheias de graça", do para mim desconhecido como escritor, padre Fábio de Melo. A doce voz eu já conhecia, mas desconhecia totalmente seu lado poético, com textos que por vezes lembram os mais pueris de meu querido Garcia Marquez. E, convenhamos, falando de mulher, é de se espantar.
Todos os textos são bons, entre engraçados e encantadores, num uso de simples palavras colocadas de forma a fazer pensar, como gosto. Mas um me encantou mais, talvez por ser tiro certeiro. Na primeira frase já parei: "amor que é amor amansa". Uma enorme verdade que sei, mas esqueço. E isso vale para todo tipo de relacionamento. Fala do poder que nós mulheres temos e deixamos de lado, embrutecidas pela vida. O poder de nossa delicadeza amolecendo os corações mais brutos. Ou de nossa feminilidade sendo ressecada aos poucos, fazendo-nos virar o que detestamos. Se não cuidarmos , viramos homens, diz o texto. "Mulher que é mulher faz da sua fragilidade seu escudo" diz ele. Estremeço. Olho para mim e me desconheço. Meu ser mulher sendo preterido. Minhas armas se igualando as do macho. Eu esquecendo de me ser.
Que bom que existem as pausas, como esta. Que bom ter homens sensíveis que escrevem bem. Que bom ter conhecido um, sensível, que me deu de presente, mesmo sem querer, um rever de mim mesma...

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