segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Saida


Amanhã entro em "férias" novamente. Estarei silenciosa por uns dias - pelo menos por aqui. Um sonho antigo de apresentar Buenos Aires - um mundo latino em meio a delícias européias - para o meu filho. O que parecia comum na minha juventude, parece uma pobreza hoje em dia: ele não conhece nada fora do Brasil. Quase "inconcebível" num mundo desse que dá às crianças oportunidades que muitos de nós ainda não tivemos...
Relembro minha vida. Ainda mais minha infância. Melhor parte da carne era do pai. A melhor sala, das visitas. Bicicletas, livros e roupas passavam de um para o outro (pobre da minha, com dez demãos de tinta). Eu, a menor da tropa de cinco, acho que só comprei roupa quando já adolescente, e mesmo assim dividida com minhas irmãs. E olha que nem posso me queixar de pobreza, porque não éramos.
Hoje meu filho, um adolescente, tem de um tudo. "Fala" 3 línguas. Estuda num ótimo colégio. Tem um quarto entulhado de desejos atendidos e rapidamente esquecidos. E nem assim chega perto de seus colegas. Esses ganham presentes caros como se fossem lembrancinhas. E roupas que eu mesma nunca terei. Vão ao exterior como nós vamos à cidade do lado, passear. Eu não tenho do que reclamar, fiz ele diferente, participativo. Sabe cozinhar, passa sua própria roupa quando necessário. Sabe se portar, sabe conversar, tem interesse real por vários assuntos.
Amanhã ele, enfim, conhece um outro país. Escuta uma outra língua, que desconhece. Paga em outra moeda, que nunca viu. Amanhã ele conhece um novo mundo. Amanhã ele cresce, penso eu. Vê que o mundo é bem maior que seu próprio umbigo...

Mergulho


Mesmo que a maré se modifique, na sua profundeza continuam vivas as maiores belezas e delícias da vida...
Recebi essa frase no meio de um poema. Achei de uma felicidade imensa, quase um banho morno na luz do dia que começa prometendo tempestades. O pouco que sei do mar, sei que pode estar bem revolto por cima, e que quanto mais se mergulha, mais calmo ele fica, apesar do escuro.
Mergulho. Vou fundo. Quase em êxtase. Sonho com um fundo de mar luminoso, cheio de encantamentos, feito criança feliz. Sonhadoramente feliz. Não que não haja nele perigos, mas perigos vêm de ameaças que fazemos. E não pretendo fazê-las.
Mergulho, vou fundo, feito um sonho. Não necessito de nada além de minha confiança. Meu espírito infantil não se deixa amedrontar pelos medos. Só se deixa levar. Vou ficar aqui até que as águas de cima se acalmem. Que se acomodem. E que eu possa, enfim, voltar...
Ah, que bom se a vida fosse assim. Feito um belo mergulho no mar. Um boiar em águas mornas e tranquilas. Um silenciar de alma que só o mar tem. Ah, que bom se a vida fosse esse eterno navegar em águas claras...mas é bom sabê-las lá, cada vez que eu precisar!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Pensando


Pensando na vida, nessa manhã fria e chuvosa - quando insistem em dizer que é verão - fiz uma imagem de mim mesma. Ou de todos.
Quando pequena, adorava soltar gravetinhos ou folhas nas corredeiras de pós-chuva que se formavam nas ruas. E os seguia até ver onde davam. Imaginava-me, ali dentro, minúsculo ser, à deriva , ao "Deus dará" (bela frase...Ele sempre dá!).
Assim senti minha vida hoje pela manhã, tomada de tanta chuva que cai desde sempre. Sigo pela vida ao sabor da correnteza. Às vezes sigo livre pelo rio. Algumas vezes rapidamente, outras de forma mais mansa. Pego correntezas fortes, passagens divertidas ou assustadoras. Outras fico à margem, em algum espaço onde a força da água não me leva, nem me tira do lugar. Bolsões de nada. Ou de tudo. Mas ali também tem vida, penso eu agora. Talvez uma parada para respirar, repensar, reviver as coisas, antes que a correnteza me carregue para outra rápida descida. Talvez essa parada demore mais do que se queira. Talvez em algum momento eu precise dela e ela não me resgate a tempo. Talvez ela me salve de algum afogamento, posso pensar. De uma descida louca logo ali na frente. Uma cachoeira. Uma queda enorme, como as raras que já passei. Talvez me salve de mais um susto. E me fortaleça. Um tempo de me alimentar.
Um tempo de me viver.
A vida segue, meu rio também. Hoje parado, amanhã , quem sabe, corredeira. Mas uma coisa é certa: todos os caminhos do rio levam para o mar...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Sutil


E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate,
não dentro de ti
Essa letra da música Sutilmente, do Samuel Rosa e Nando Reis tem muito de mim.
Pelos menos hoje.
Sou tão certinha que tenho vergonha de assumir que não estou bem. Que não estou feliz. Afinal, diriam os mais crentes, infeliz porque? Tenho saúde, pernas e braços. Eu enxergo, sinto cheiro e gostos. Não sou um gênio - e nem suportaria ser num mundo assim tão básico! - mas , digamos, não sou aquém das expectativas dos outros. Já fiz minha fama, mas ainda não entregaram minha cama, contrariando o ditado. O que me falta?
Não sei. Tenho um vazio dentro de mim. Um faltar. Talvez eu saiba e não queira assumir, assim , publicamente (sempre sabemos, no fundo...). Talvez seja essa espera pela Vida, incessante e (in) cansável. Ou talvez nada, frescura de mulher, como dizem por ai.
Hoje estou quieta, feito vulcão antes da explosão. Ou o silêncio que a Terra faz antes dos tsunamis. Quiçá seja o silêncio refrescante que antecede um novo e belo amanhecer.
Hoje o silêncio. Amanhã, o não sei. Ou me calo ou explodo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Assumindo


Ando quieta e bem me conheço. Ando fugindo até de mim mesma. Dos pequenos e dos grandes problemas. Não sei se é uma velha tática de esperar que as coisas se resolvam - ou dissolvam - sozinhas (talvez a chuva fina as leve?).
Ou como se a própria inércia trouxesse mais inércia - assim como energia gera mais energia, dizem. Nesse tempos de tudo esperar, quase me desespero. E tudo paro. O amanhã vira meu álibi, meu fiel escudeiro. Até minhas unhas voltaram a passear em minha boca, após duradouro e esperado esquecimento. Passo o dia num degladiar incessante entre meu anjo e meu demônio. Ficam os dois a discutir, cada um falando em um ouvido, deixando-me louca.
Por outro lado, ainda é Janeiro. No meio dele, sem ter tido férias de verdade (se a cabeça não para...), tenho pressa num mundo parado. Ou seria meu tempo de ruminar?
Então...gosto de ser e estar positiva. Dar aos outros só o que tenho de bom. Escrever para animar. Mas a palavra do dia - e já se vão tantos - é crise. Estou em crise, afogando-me num mar de mim mesma, tentando respirar. Amarrada em mim mesma, sem querer me movimentar. Precisando de uma real parada. De um silêncio interno que se perdeu entre idas e vindas, no deixar-me levar pelo que querem os outros, e não eu. Enfim, de um ar para respirar.
Se pelo menos saísse de minha boca esse gosto de féu...

Constatação


Eu amo tudo o que foi

Tudo o que já não é

A dor que já não me dói

A antiga e errônea fé

O ontem que a dor deixou

O que deixou alegria

Só porque foi, e voou

E hoje é já outro dia.

(Fernando Pessoa)


Nestes dias em que me encontro ainda mergulhada em incertezas, esse dançante poema traz muito de mim. Por trás de leves rimas, uma lição sem fim.
Ao acordar, meu cérebro me deu bom dia com a seguinte frase: hoje é o primeiro dia do que queres para a tua vida. E ele tem razão. Estive protelando decisões que podem dar um rumo a ela. Colocá-la nos trilhos, como diziam os antigos. O que quero para mim? O que espero de mim? Não ligo para o que os outros a pensam. Não mais. Perdi muito tempo fazendo isso e só me ocupou gavetas, feitos papéis sem valor. Tenho é que seguir o rumo que meu coração me diz. Só tenho ele como minha companhia. Meu inseparável companheiro de todas as horas. Ele e minha mente em desenfreada discussão. Reuniões a portas fechadas. Discussões sem fim. Meu coração quer que eu seja feliz. Minha mente, que eu seja auto suficiente. E ficam os dois brincando dentro de mim.
E eu?
Deixo os dois nessa luta e chamo a intuição para conversar. Feminina, consola-me. Diz para que eu não tenha pressa em decidir. Põe nas minhas próprias mãos as rédeas do meu galopante futuro...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Caminhar


Ah, as promessas vãs. Tenho tentado não fazê-las - a não ser a mim mesma, que me suporto e tento entender. Certinha como sou, fico me cobrando o cumprimento delas. E vejo ao meu redor tanta gente prometendo coisas que sabe que não vai cumprir...
É que eu chamo de síndrome de final de semana. Ou de férias. Ou de virada do ano. Ou até dos apaixonados. Parecem tão simples, tão palpáveis. E no momento seguinte somem no ar. Fica no outro a sensação do vazio. Não gosto. De sorvetes a vida, não ponho na boca o que não sei se farei. Ou digo, mas já com as ressalvas da hora.
São tantas as promessas que escuto...Vou parar de beber. De fumar. Começo o regime segunda. Depois das férias eu volto a me cuidar. Quando eu voltar, a gente se acerta. Esse ano vou mudar meu jeito de ser. Palavras vãs, empurradas para o futuro. Amanhã, depois, neste ano, um dia. Ficamos fadados à espera do incerto. Ficamos no calendário futuro. No hoje, nada a declarar. Hoje deu sol, amanhã nada sei. Hoje estou viva, amanhã não sei. Por isso tenho tentado viver o hoje. E sem muitas promessas de ser, ter ou fazer. Não se trata de ir levando a vida. Trata-se de viver. Lembro que para se chegar a algum lugar, o primeiro passo tem que ser dado.
Esse. O de hoje. O de agora. Sempre se sabendo onde se quer chegar...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Lição


Quintana falou certa vez: "Minha vida é uma colcha de retalhos. Todos da mesma cor".
Eu, louca e romântica como sou, discordo do poeta essa vez.
Minha colcha de retalhos é furta cor. Tantas que até me perco. Tecidos variados, texturas mil, cores misturadas. Peças que vou costurando uma a uma, dia-a-dia, com minhas linhas de bem viver.Vêm logo pela manhã, e as costuro durante o dia com o que me vem em pensamento. As ideias são muitas, tento até planejar. Mas nada substitui esse costurar suave da vida. A escolha do tecido, o corte na padronagem, a procura da melhor posição.
Ah, quanta doçura na espera da colcha pronta! Quantas colchas já fizemos na vida..ou seria todas parte de uma só? Sento aqui, pego minhas linhas e a caixa de tecidos e escolho a minha parte do dia...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sonho


Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

Essa frase curta e de longo acerto só podia ser de Fernando Pessoa. E cabe como uma luva de pelica no meu dia de hoje...

Tive um final de semana de arrumações. Explico: quando estou me sentindo muito confusa, triste ou irritada, arrumo armários. Assim me distraio, arrumo a casa, e de quebra, espero, arrumo minhas gavetas internas. São tantas, e não que estejam desarrumadas, mas sempre reviso e tiro delas coisas que não estão fazendo bem.

No intervalo das arrumações, filmes que queria assistir desde sempre mas estavam esquecidos no amanhã; livros que esperavam , ansiosos, pelo meu toque e meus olhos neles. E roupas que estavam lá, tristes, sem serem realmente usadas como esperavam ser ( e para minha alegria, grandes, enfim...).

Assim vou tirando minhas pedras do caminho, mas ainda não construindo meus castelos. Eu quero caprichar no projeto, fazer para a vida toda que me resta. neles, ser feliz. Eu e a Vida que, espero, esteja ao meu lado, hoje, amanhã e para todo o sempre...

domingo, 17 de janeiro de 2010

Sem pipocas


Ver um bom filme torna-se quase uma meditação para mim. Preciso de um silêncio infinito, um momento só meu, sem interferências vãs. E neste interim, vão caindo muitas fichas. Revendo o filme do Benjamin Button caíram muitas. Do bem viver, do bem amar, das circunstâncias da vida. E de como aproveitamos mal tudo ou todos que nos são caros. De como esquecemos como somos ao longo do tempo, como deixamos de lado nossos sonhos. No final da vida, restam as mágoas, pelo que tenho notado. Deixamos isso por causa dos pais, aquilo por causa dos companheiros. Depois, fazemos de um tudo pelos filhos. E de novo pelos pais. Quem sabe pelos netos. E quando vemos, a vida passou e não vivemos para nós.
Deveríamos, sim, fazer filmes nossos. Quem sabe com reprise dos melhores momentos. Volta e meia me dou a esse "luxo" de voltar no tempo, relembrar as coisas que fiz e que fizeram toda a diferença. Não perco mais meu tempo nas divagações do tipo " e se". A vida são escolhas, caminhos que escolhemos - ou somos levados a tal - a cada dia, a cada hora, a cada segundo de nossas vidas. Umas por mero descuido, outras quando atentos. Para umas , pensamos demais, para outras vale o impulso do momento. E ainda há as impostas, os becos sem saída (pelo menos assim os vemos no momento...). Mas sempre é bom resgatá-las, nem que seja para ver o quanto repetimos os mesmos erros, o quanto pegamos os mesmos atalhos - muitas vezes só nos dando conta quando o precipício, sempre o mesmo, reaparece em nossa frente.
Por isso eu digo: ver filmes sempre representam uma meditação para mim. Nem que seja o filme de mim mesma...e sem pipocas!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Ser


Ando muito sensível. Como sempre digo, brincando, chorando até em propaganda de papel higiênico.

E as imagens dos últimos dias tem me deixado estupefata. Os deslizamentos em Angra já tinham me deixado assim. Mas as cenas estarrecedoras do Haiti deixaram-me sem palavras. Minha vontade era esquecer quem sou - ou muito pelo contrário, ser quem eu realmente sou - e ir até lá ajudar, nem que fosse dando colo, afago. Coisas simples como dar de beber. Quantas vezes já me peguei pensando em ser mais útil, menos fútil. Ser um médico sem fronteiras, trabalhar numa missão de paz, sei lá. E nessas horas essa vontade sai pelos meus poros.

Muitos me julgam frágil. Madame. Mas nos tempos de trabalho voluntário em hospitais, pegava "pesado". Não me venham com grávidas pelos corredores, eu dizia. Gostava de atender pacientes em câncer terminal, crianças com Aids. Quem nunca entrou na ala de queimados infantil não sabe o que é sofrimento. E ver que vem destas pessoas o melhor olhar. Um olhar agradecido, que podia muito bem ser de raiva. Agradecido por toda e qualquer ajuda. Agradecido por estar vivo. Um olhar inesquecível.

Dentro de um hospital , asilo ou o que for, transformo-me. Sou o meu melhor. Dou o meu melhor, meu melhor sorriso, minha melhor palavra, meu certeiro incentivo. Sou solidária, firme, cheia de atitudes. Sou eu.

Está ai uma coisa que todos devia provar. Ou provocar, procurar. Ser algo para alguém desconhecido. Sem propósito além do fazê-la melhor. Ser humano, na real ideia da palavra. Ser, como todos deveriam. Doar, nem que fosse sangue, na "falta" de tempo. Ou apenas contentar-se em juntar donativos e se iximir de toda e qualquer culpa. E depois conseguir dormir em seus alvos lençóis.

Ando sensível, mas isso não conta. Deve ser essa minha vontade cada vez maior de Ser...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Jogo


"O problema só é problema quando se apresenta. Logo depois do choque inicial ele passa a ser desafio. São como quartos escuros onde precisamos tatear as paredes e objetos para chegar até a luz.

Este texto me fez parar para pensar. Sou meio bipolar em relação a isso. Descabelo-me por um tempo, depois deixo o rio seguir seu rumo. Parece meio infantil, mas temos mania de remoer. E quanto mais remoemos, mais ocupam nosso cérebro, sem deixar espaço para as boas ideias, as boas saídas, para a luz.

O ano começou tenso. Achei que não teria saída para várias coisas. Nem tateie no escuro, tamanho medo que se apossou de mim. Mas, quer saber? Estou administrando, tempo e coisas a resolver. Nem vou mais chamá-los de problemas. Nem de charadas, destas que ficamos encima até resolver. Vou abrir espaço em mim. Deixar que o vento da vida refresque os meus pensamentos. Deixar espaço para que fluam. Quem sabe assim alguns se dissolvam, outros clareiem. Talvez assim eu veja a vida de outra forma. Talvez não a leve tão a sério. Tateando as paredes, posso até achar graça, transformá-la em jogo de criança. Assim, como no escuro, minhas pupilas vão de abrir ao máximo e deixar eu ver que nem tudo está perdido...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Refresco


"Tantas vezes julgo a vida tão tola que muitas vezes a felicidade depende de um imprevisto".
Essa frase vem bem a calhar com os últimas dias. estive fora do ar, como dá para notar. Passei três dias na praia só com minha irmã e meu filho. Fizemos muitas coisas , mas só o fato de estar longe de tudo, sem internet, já valeu o esforço.
É...felicidade vem de banho de mar morno, na companhia do filho. De pegar jacaré, apostando para ver quem vai mais longe. De boiar abraçadinho, conversando e rindo. Felicidade está no sentar e olhar o mar. Na minha furtiva corrida matinal enquanto eles dormiam. No sol sobre a pele. No vento da varanda. No barulho delicioso do mar em meu ouvido.
Felicidade está na liberdade de um não tolher o outro. De cantarolar e dançar em pleno corredor de shopping. Felicidade está em rir de qualquer coisa, do tudo e do nada. Está no sorvete proibido. No experimento de um novo prato. No caminhar sem hora para voltar. No ver coisas novas. No tentar coisas novas. No provar novas delícias. Na champagne sem data festiva.
Ah, enfim, tirei férias. Férias da vida que se faz atribulada e das promessas de ano novo. De um correr atrás do que não sei. De um esperar sem sentido que a Vida tome algum partido e me faça, como prometido, mais feliz.
Ah, enfim, tirei férias. Dei-me ao luxo de brincar no mar. De chupar picolé. De comer fora de hora. De esquecer o relógio do tempo.
É...está provado: a vida é tão tola que muitas vezes a felicidade depende de um imprevisto...ou de vários!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Vivendo


Tenho aprendido uma coisa que levei décadas para conseguir: não esperar nada de ninguém. Nem da vida, nem das outras pessoas, nem de mim mesma. E como isso faz diferença!
Lembro dos tempos de jovem quando ficava horas - as vezes dias - a esperar um telefonema que não veio. Um contato, um retorno, amoroso ou profissional. Hoje não. Arrisco mais e me sinto bem assim.
Hoje sou mais atirada. Não de um precipício, nem de cabeça. Mas não sou mais tão meticulosa, não sou mais tão cuidadosa - nem ingênua - como costumava ser. Levo a minha vida como dá, dando de mim o melhor no que quero e enrolando no que nem ligo. E se não deu, procuro não me descabelar tanto. Nem ficar ruminando mentalmente para saber o que deu errado. Deu, assumo, pronto. Pensar, teorizar, lamentar só traz sofrimento. E desse meu caminho já está cheio -
mas nem por isso eu me rendo.
Não esperar. Ou como diriam alguns: a fila anda. E se eu achar de novo, a mesma coisa em meu caminho, ai sim darei atenção. A vida, dizem , é uma grande festa. Não quero ficar ficar nos bastidores esperando a minha vez. Nem ficar de lado vendo os outros viverem. Entro no salão, seja qual for minha posição, dama ou gata borralheira. Quero ver a vida de frente, ao vivo, e não saber dela pela boca dos outros. Quem sabe , um dia destes, ela me tira para dançar?

domingo, 10 de janeiro de 2010

Desejos


Desejo que você tenha bons desejos em 2010...
Desejo que você consiga realizar seus desejos...
Desejo que, uma vez que seus desejos sejam realizados, você tenha energia e amorosidade suficientes para sustentá-los e amar o que conseguiu realizar...
Desejo que, caso seus desejos não se realizem, você saiba saber a diferença entre entre o que ainda é bom desejar e o que é preciso re-desejar...
Acima de tudo, desejo que sempre haja desejo...


Recebi este texto de uma doçura de pessoa. Destas que só se viu na infância, mas se guarda no coração. Veio nela a força das palavras, destas que amo. Como que hipnotizada, li, reli, respirei, degustei cada uma dela.
Desejos... desejamos tanto, tudo. Muitas coisas perdendo a graça após a conquista. Outras brotam dentro de nós como semente boa a ser alimentada. Desejos, tenho tantos, mas podem ser resumidos em uma gaveta chamada FELIZ. Nela ponho um pouco de tudo, de mim, dos outros, sonhos ainda não realizados. Uns fáceis, outros meio complicados. E aqueles, raros, sem data para conseguir.
Só sei que sem eles, os desejos, a vida perde a graça. Fica sem sal. Fica sem sol. Fica sem.
Ai, melhor nem levantar da cama...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Romântica


Vou começar o ano aceitando uma coisa dentro de mim: sou uma romântica incorrigível. Não sou essa mulher forte e batalhadora que todos vêem em mim. Meu maior sonho era a de um cavaleiro montado em seu alazão a me salvar das injúrias da vida.
Agora , falando sério - e voltando para a Terra: sempre quis e sempre quero alguém do meu lado. Não sei viver sozinha. Não sei ser só. Mas nem precisava de cavalo. Precisava de apoio. Preciso de incentivo, sempre. Alguém que me diga "vai!". Alguém que me diga "linda". Alguém que, verdadeiramente, diga - e demonstre - que está ao meu lado, que acredita em mim e em meus sonhos, tantos.
Difícil...
Sou uma menina-mulher que não gosta de nãos. Não faça isso, isso não vai dar certo. Não é por ai. Não faças assim. Não gosto disso.E tantos e tantos outros nãos bem mais ofensivos que já escutei pelo caminho...Ao escutá-los, faço como fazem as crianças: nego. Não escuto. Rebelo-me, mesmo nesse silêncio que aprendi a usar para me defender.
Quero, românticamente, alguém que me diga SIM. Que me escute com o coração. Que me entenda com a alma. Que me faça sentir que sou alguém, que valho a pena. Que sou merecedora de ser feliz. Enfim, alguém que me ame por inteiro.
Fico aqui, feito Carolina debruçada na janela, a espera da Vida. Ela virá, prometeu-me um dia. Cedo ou tarde, virá. E se for para ser feliz por um dia, que seja. Meu sonho romântico realizado, enfim. Sem tempo ou lugar.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Revoada


"Atos são pássaros engaiolados, sentimentos são pássaros em vôo“. (Mario Quintana)

Li , já com a admiração incutida por ser de quem é, e pensei: os meus, tantos, saem, sempre, em louca revoada. Muitas vezes sem líder.

Minha cabeça não para. Acho que nem dormindo. Tenho ideias e pensamentos, bons ou ruins, full time. Tentei meditação. Ainda tento. E me dou parabéns se consigo ficar alguns segundos "sem pensar em nada" ( isso existe?).
Dizem que sou ligada na tomada de 220W. Não concordo. Essa força, furia , energia ou seja lá o que, só ponho nas coisas que gosto. Nas coisas que quero fazer. Meus dedos voam no teclado quando eu digito - apesar de sempre errado. Mas gfosto de me jogar num sofá , num doce far niente. Ou melhor ainda de frente para o mar. Ali, sim, meditar. Deixar-me levar pelo cantarolar das ondas. Ah, ali sim, medito.esqueço da vida. Esqueço de mim.
Quem sabe eu chegue à conclusão de que preciso de mais gaiolas. Prender alguns de meus infinitos pássaros. Domá-los. Cortar suas asas. Talvez, depois disso, descubra que estou mais infeliz. Talvez resolva soltá-los. Mas será que vão sobreviver depois de tal clausura?
Assim sou eu. Sempre diblando entre meus atos e meus sentimentos. Permeando - ou tentando - entre as gaiolas e a liberdade. Hora deixando-me aprisionar, hora me rebelando. Levando a vida...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Novo


Ah, se a gente realmente se desse conta do que é um Ano Novo (assim mesmo, importante, de letras maiúsculas)...Um caderno novo, de páginas em branco, cheiroso com os do colégio. Nele uma página para cada dia, com seus 365 espaços a serem preenchidos. Como nos tempos de colégio, começaríamos cuidando dele, caprichando nas letras, pondo belos pensamentos, lindas gravuras.
Mas ao passar dos dias, a monotonia e o esquecer de que cada página é uma só, relaxamos. Garranchos tomam conta das linhas, viram rascunho de vida. Não mais a letra desenhada, não mais as palavras bem escolhidas. Um simples preencher.
Um caderno novinho em folha abriu na semana passada. Será dada uma nova oportunidade de fazer dele um belo exemplar. Espero fazer de cada linha, de cada repassar, um gesto meu. Um diário bem cuidado. Cuidar dele como único, raro. Um novo viver, um novo dia, meu presente diário.
Ah, se a gente realmente se desse conta do que é um Ano Novo...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Férias

Da Vida, sou gulosa. Quero dela cada breve momento...
Sentir seu cheiro e seu gosto, antes que passe o caminhão dos dias...
Essa frase me veio assim, de rompante. Como uma verdade a ser dita. Acho que é meu jeito de falar que amo esse frescor - de ideias e de calor - que me vem pela manhã. Isso para mim já são férias: acordar cedo, no silêncio da vida, sentir os primeiros impulsos de minh'alma e de minha mente. Acordei feliz, sem o peso do dia-a-dia.

Mas não pense que estou de boa, como dizem por ai. Tenho, sim, muitas coisas a fazer, a resolver. Mas antes que suba o sol e que o calor das horas as traga até mim feito enxurrada, vou navegando a meu contento nas águas calmas de meu amanhecer. Deixando minha imaginação voar alto, solta, sem destino certo. Deixando meus pensamentos dançarem a vontade no salão vazio de meu acordar. Essa liberdade, mesmo que pouca, não quero perder.
Oásis. Vida. Alimento. Meu bem viver...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Feliz Ano Novo!



Amarelo e dourado para prosperidade, laranja para saúde (não era o verde?) e sabedoria, vermelho ou rosa para o amor, branco para a tão esperada paz. Pular 7 ondas, comer lentilha, pedir a benção de Iemanjá.
Tanta coisa fazemos na virada do ano. E sempre com aquela sensação de que estamos esquecendo de algo. Mais um ano passou, e o que fizemos dele?
O último dia do ano deveria ser de pura reflexão. Um estar quieto consigo mesmo. Um revisão do que foi feito, um lembrar do que não o foi . Hora de pesar prós e contras. E, óbvio, de tantas novas promessas. Por vezes, um enganar.
Prefiro não me ater a isso. Já fiz minhas listas - sempre elas ! - e as perdi no meio o caminho. Ou mudei tantas vezes de ideia que nem sei. E quantas vezes me peguei triste, no último dia do ano, por não ter me cuidado, ou não ter estudado, ou não ter (me) amado como havia prometido. Tantas palavras vãs...
A sabedoria trouxe novidades em mim. Nada de promessas de final de ano. Nada de tristezas pelo que não alcancei. Vou é agradecer. Por mais 365 chances de ter sido feliz. Por um ter vivido como quis. Pelo caminho que trilhei, pelas escolhas que fiz. Pelo saber que vivi.
Espero meu ano novo bem colorido. Meu arco íris de me amar. Sabedoria, saúde, amor e paz? Isso vou ter se correr atrás...
(Texto escrito antes do final do ano. Mas como fui parar num fim de mundo sem internet - é isso existe! - posto hoje meu texto do dia 31. E, sim, cumpri a promessa: não pulei as ondas, não presenteei Iemanjá, não comi lentilha. Nem fiz promessas vãs. Só a de ser guerreria e lutar por mim mesma. E por um mundo melhor...)