quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Constatação


Eu amo tudo o que foi

Tudo o que já não é

A dor que já não me dói

A antiga e errônea fé

O ontem que a dor deixou

O que deixou alegria

Só porque foi, e voou

E hoje é já outro dia.

(Fernando Pessoa)


Nestes dias em que me encontro ainda mergulhada em incertezas, esse dançante poema traz muito de mim. Por trás de leves rimas, uma lição sem fim.
Ao acordar, meu cérebro me deu bom dia com a seguinte frase: hoje é o primeiro dia do que queres para a tua vida. E ele tem razão. Estive protelando decisões que podem dar um rumo a ela. Colocá-la nos trilhos, como diziam os antigos. O que quero para mim? O que espero de mim? Não ligo para o que os outros a pensam. Não mais. Perdi muito tempo fazendo isso e só me ocupou gavetas, feitos papéis sem valor. Tenho é que seguir o rumo que meu coração me diz. Só tenho ele como minha companhia. Meu inseparável companheiro de todas as horas. Ele e minha mente em desenfreada discussão. Reuniões a portas fechadas. Discussões sem fim. Meu coração quer que eu seja feliz. Minha mente, que eu seja auto suficiente. E ficam os dois brincando dentro de mim.
E eu?
Deixo os dois nessa luta e chamo a intuição para conversar. Feminina, consola-me. Diz para que eu não tenha pressa em decidir. Põe nas minhas próprias mãos as rédeas do meu galopante futuro...

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