terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Arco íris


Caiu uma chuva louca ontem à tarde. Dessas sem aviso - pelo menos para quem estava no mundo da lua, feito eu. A chuva, por si só, não seria o problema, não fosse um vento doido que a acompanhou. E a rapidez com que veio.
Pois bem, não sabia o que fazer primeiro. Casa escancarada por causa do calor, varal cheio de roupas (sim, isso ainda existe, roupas secando livremente ao sol...). Corri para resgatar as peças antes que voassem, enquanto a chuva pegava forte. Eu corria e ria ao mesmo tempo, da infâme ação, divertindo-me feito criança. Dava até gritinhos, por causa da chuva fria e das pedrinhas que machucavam meus pés descalços. Para completar a cena, hilária, meu cão latia muito, meio que assustado - ou seria se divertindo? - com a situação.
Pois bem: resgatada a roupa e fechada a casa, ficamos nós dois, criança grande e cão, a observar o temporal. Eu de pé, frente a porta de vidro da sala, ele sentado ao meu lado. Eu com os cabelos pingando e as vestes molhadas, ele úmido. E, longe das desgraças que podem ter acontecido, foi inusitado ver cadeiras voando, vasos caindo, cortinas loucas pela casa afora (é...tem gente mais desligada que eu, penso). E sempre a mesma boa sensação. A mesma que me acompanha após um banho: o cheiro bom, o frescor, a bela aparência do renovado.
Ah, não posso negar: chuvas mexem comigo. Das infindáveis de inverno que me calam às fogueteiras de verão que me acendem. Não sei qual delas sou. Mas sonharia ter esse poder na vida, da transformação de nós na criança que fomos.
E , quem sabe, trazer comigo um arco-íris e um belo sol depois...

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