domingo, 28 de fevereiro de 2010

Ouro


Bem diz o sábio ditado: " a palavra é de prata, o silêncio é de ouro". Acho de uma verdade fenomenal. Quantas vezes senti que falei demais? Que teria ganho mais se tivesse calado a boca na hora certa, na palavra mal dita? Certo estavam os velhos Novos Baianos (*) quando nos deram o alerta.
Tenho medo das palavras, não do silêncio. Nele, muito delas, mas dentro de mim. Rebeladas ou controladas. Li hoje num texto que "algumas pessoas se sentem simplesmente deprimidas, ao se perceberem pensando (ou repensando) a respeito de coisas que as incomodam. Outras pessoas aproveitam esta fase para iniciar - ou dar um impulso maior para isto - um movimento de auto -análise crítica ou terapias".
Assim vejo meus silêncios, que muitas vezes assustam aos mais chegados - e até a mim mesma! - tão acostumados, eu e eles, à minha decorrente alegria, minha língua solta ( real ou virtual) e , por vezes, exageradamente falante. Uma tagarelice solitária. Acho mesmo, quase uma certeza cientificamente provada dentro de meu laboratorial existencial, que a muita fala é tristeza enrustida. Substituta astúcia de lágrimas. De tanta solidão. De tanto deixar.
Sou - somos? - feito palhaço no picadeiro...Sabe lá quanta tristeza deixou no camarim antes de entrar em cena...
Porque o mal nunca entrou pela boca do homem...porque o mal é o que sai da boca do homem...
(*) O mal é o que sai da boca do homem, letra de Pepeu Gomes, Baby Consuelo (hoje "do Brasil") e Luiz Galvão.

Um comentário:

  1. Adorei e me identifiquei muito com o texto.bem interessante vc ter colocado no seu blog.Beijão.

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