quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Cinzas


O dia amanheceu triste, choroso. Chuvinha fina, fria, daquelas que dá vontade de ficar o dia todo na cama, só ouvindo essa benção dos céus. Mas o dia não espera. A vida bateu na porta e disse que estava na hora. Na hora de que, penso.
Talvez porque seja quarta-feira de cinzas. Talvez um dia de ressaca da vida. Um dia de reflexão. Mas nem sou católica e nem espero que me purifiquem com a marca na testa. Nem que me lembrem de meus tantos pecados. Mas não posso negar que acordei diferente. Deve ser o choro das colombinas ao se despedir de seus pierrôs. Que inveja! Não pulei Carnaval, nem arranjei pierrô, e estou eu , aqui, feito uma delas a me lamentar do dia.
Hoje me peguei pensando no lado bom de uma Quaresma. Um parar para pensar. Refletir. Precisamos, todos, eu mais que muitos. De pequenos ajustes ( ou enormes?), de provar algo a nós mesmos. Nem que seja que, sim, conseguimos ficar esses dias ( mais de quarenta, já que os domingos não contam...) sem algo que nos é caro. Um jejum, uma penitência. Mas não falo de coisas terrenas, sorvetes, doces ou café. Isso são, a meu ver, coisas fáceis de cumprir. Falo do que nos é mais imprescindível, como o amor. Ou beijo de filho. Mas isso já negligenciamos tanto,
sem nem se dar conta...
Descubro que meu fardo, pesado, seria passar todos esses dias sem escrever. Podia até tentar, mas minha cabeça ia estourar de gavetas lotadas de pensamentos.
Afinal, escrever, para mim, é minha terapia. É um esvaziar-me.

Nenhum comentário:

Postar um comentário