sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Dois


No meu passeio com o cão vi o casal se aproximando. Lado a lado, passo conjugado e firme. Bom terem atividades juntas, pensei. Mostra união, mostra interesse de estar ao lado. Interesse até pela saúde, podemos pensar. Afinal, se caminham lado a lado devem ter coisas em comum, nem que seja o simples caminhar. O simples sentir do calor do outro, seu compasso, sua energia no ar. Senti uma pontinha de inveja e um caminhão de vontade de ser uma igual.
Meus pensamentos românticos cessaram quando vi que a mulher usava fones nos ouvidos. Surda ao mundo ao seu redor. Feito adolescente que se fecha em seu mundinho para fugir do mundo paterno ( leia-se pai e mãe. Ou melhor, família em geral!). Surda ao seu mundo exterior. Surda para ele. Olhava o chão, como quem se procura. Ou se esquece. Ele, peito aberto, feito militar, passo forte. Mudo, como já se pode imaginar. Mas só por fora, porque imagino o turbillhão de coisas que teria para falar.
Que mundo é esse onde se casa para se isolar? Se une para se separar? Onde um par são dois desiguais. Onde um é grego, outro troiano. Não mais macho e fêmea, homem e mulher. Não mais complementos. Nem namorados, nem amantes. Muito menos amigos, pois a estes contamos até o que não podemos contar. Somos, quando muito, pai e mãe. Será que isso um dia vai mudar?
Nesse compasso, sigo sozinha. Já dizia o ditado, melhor que mal acompanhada. Não quero ao meu lado um corpo,
nem na vida e nem na cama.
Quero um amor. Um viver. Um completar.
Menos não me serve, fico com o cão...

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