sábado, 20 de fevereiro de 2010

Meteoro


Também temos nossas mulheres maravilhosas. Muitas Leilas, feito o meteoro Diniz. Passou rápido pela Terra, poucos 27 anos . O suficiente para torná-la estrela. Já como professora era Leila: aboliu a sua mesa para ficar sempre entre os alunos. Amou pela primeira vez aos 17. Casou. Sua primeira passagem: o amor durou só três anos. Virou atriz, primeiro nos palcos depois nos dramas da televisão. Quebrou tabus de uma época em que a repressão dominava. Escandalizou a muitos ao exibir a sua gravidez de biquíni na praia. Depois ao dar de mamar em público. Linda. Solta. Livre, Leila, até onde se poderia ser. Falava o que pensava. Chocava todo um país ao pregar um amor livre, descomprometido, vivido ( "Transo de manhã, de tarde e de noite") . Uma mulher à frente de seu tempo, ousada e que detestava convenções. Foi invejada e criticada pela sociedade machista, mal vista pela direita opressora, difamada pela esquerda ultra-radical e tida como vulgar. Promíscua, diziam. "Não terei papel de prostituta", disse outra grande mulher, Janete Clair. Não se deu por vencida: deu nova luz às esquecidas vedetes da época, acordou o teatro de revista com sua curta passagem. Meteoro rápido, abatido pela vida.
Leila, não a garota, a "A Mulher de Ipanema", era defensora do amor livre e do prazer sexual. Separava amor de sexo ( "Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra"). Um símbolo da revolução feminina, que rompeu conceitos e tabus por meio de suas ideias e atitudes. Que irritou falsas feministas. Que se tornou símbolo da liberação feminina dos anos 1960 e 1970. Que nos acordou. Se não a nós, nossas mães e avós. Passa o meteoro, deixa a estrela. E não nos deixa de "Mãos vazias"(*) .

Toda mulher quer ser amada
Toda mulher quer ser feliz
Toda mulher se faz de coitada
Toda mulher é meio Leila Diniz.
(Rita Lee)

(*) Filme que a consagrou com o prêmio de melhor atriz, no Internacional Film Festival , na Austrália. Morreu ao retornar ao Brasil, em acidente aéreo.

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