sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Revelação


Não sou muito de novela, mas em tempos de "férias" e calor, é melhor que nada, já que não se tem mais, infelizmente, a mania se sentar na varanda e contar estrelas no céu. Ou causos.
Mas algo me atrai nas novelas escritas por Manoel Carlos. É como se eu lesse um bom romance. Gosto dos diálogos, da força que ele impõe, mesmo sutilmente, às palavras.
Hoje o tema era adultério. Mulheres, claro, pois homem pratica de uma forma tão normal, tão enraizada e fácil, que nem puxa conversa sobre o assunto, penso eu. Falavam do gosto de uma traição. Achei graça - e talvez verdade - que tinha um gosto doce no dia, mas amargo no outro. Muitas mulheres ainda vivem sob a sombra de tantos anos. Pensam como suas mães e suas avós. Ou como quer que pensem os padres e pastores de plantão. As já traídas dizem que temos que aproveitar a vida. As beatas, que é pecado, que a família está acima de tudo. As apaixonadas, raras, que assim como está, está bem. Mas, acima de tudo, vejo muitas mulheres - e homens - vivendo a vida pela metade. Por comodismo, por precaução, por interesse meramente econômico ( é, separar sai caro...). Levam a vida, não a vivem. Um mero passar de dias. Bem sei do que falo.
Mas aí vem meu lado moleca, que quer viver. Vem meu lado mulher, tão viva ainda. Vem meu lado fêmea, sempre forte e escancarado -apesar da palavra por si só ser escrachada por todos. Bom se encarássemos melhor esse assunto. Bom se vivêssemos melhor esse lado. Bom se não deixássemos o lado mãe tomar conta de nosso espaço. Bom se não abafasse tantos outros. Com certeza eles não precisariam trair. E nós, nem pensar. Teríamos na boca o doce gosto de bem amar...

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