terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Verde


Hoje me peguei pensando: e se for verdade aquilo dos filmes, que Deus ouve todos os nossos pedidos, nossas sempre tantas reclamações? Deu pena só de pensar...Vou, humildemente e solitariamente tentar livrá-lo das minhas, tantas. Pelo menos hoje.
Fazia um calor infernal aqui por umas duas semanas. Sempre acima dos 40 graus à sombra - imagina no sol ou dentro de casa. As paredes quentes, o banho desligado quente, como quente o puxador do armário...(e tem gente que acha que no Sul é frio...). O país todo mergulhado num calor insuportável. Muitos lugares com temporais arrasadores diários. Fiquei imaginando as pessoas que enfrenatm de cara muito sol ou muita chuva. Tantas bem mais sofredoras que eu. Ou das merecedoras de um vento qualquer, a suavizar. Resolvi não reclamar mais. E só por isso me senti mais fresca, digamos. Talvez o ato de reclamar mexa tanto com as energias, feito a raiva, e nos aqueça mais, penso.
Ontem caiu uma chuva de derrubar árvores. Sentei na sala a me deliciar com a paisagem. Com o cheiro da terra, enfim, bem molhada. Com o som da chuva caindo, um mantra pacificador. Adorei até o barulho, antes assustador, dos raios. Pensei ser um alerta divino, uma forma branda de darmos valor ao que temos. Há, sempre, algo pior. Sempre. Talvez seja um teste de resistência. Talvez estejamos sendo preparados, aos poucos, para algo maior.
Hoje chove, fracamente e insistentemente, refrescando corpos e almas. Estou como a grama verde, agradecida. Senti-me abençoada antes mesmo de abrir os olhos. Abençoada chuva, que reclamamos em outras épocas do ano. Benção talvez não merecida.
Bem se faz chamá-Lo de Pai...

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