quarta-feira, 24 de março de 2010

Ah, as virtudes


E quais seriam as sete virtudes, contraponto aos pecados?
Ordenadas em ordem crescente de santicidade, as sete virtudes sagradas são: castidade no sentido de auto satisfação, de alcançar a difícil pureza de pensamento, em contraposição à luxúria. Generosidade ou desprendimento, de ações e pensamentos, contra a avareza. Temperança, moderação opondo-se à gula. Presteza no lugar da preguiça. Paciência, serenidade no lugar da ira. Compaixão se opondo à inveja. Humildade contra a soberba.
Não é difícil viver dentro desses preceitos se se está feliz. E se é como dizem que a felicidade está em momentos, penso se não seria cada momento destes uma vida. Uma vida própria dentro de uma vida maior. Um fragmento do todo. Em cada momento feliz, um mundo. E no balanço geral do todo, nosso saldo positivo ou negativo. Olho minha unha ruída no fervor do mal momento de ontem e vejo nela minha ira. Ou minha total falta de paciência com a vida, já que tenho pressa de ser feliz. Sinto meu corpo me perguntando se não vou caminhar, e dou de cara com a preguiça. Minha generosidade, sim, está garantida no sorriso que hoje trago na cara. Um novo dia, penso. Bem poderia ser, já, o bom começo de meu melhor.
Mas lembro de "seu Arthur " - meu jardineiro emprestado - e seu sorriso ao final do trabalho bem feito - e sinto que fui generosa mais comigo do que com ele. E da compreensão, nele, do quanto tão pouco pode fazer muito. Seria luxúria de minha parte, querer ser feliz a todo custo? Ser feliz até com momentos que não são meus?
Faço um levantamento baseado nessas lágrimas que me saem tão fáceis. Nos sorrisos que tão facilmente consigo, na emoção que tenho estampada na cara. Penso que não sou tão pecadora assim. Mas isso já seria uma espécie de soberba.

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