sábado, 20 de março de 2010

Colheita


Hoje, enfim, começa o Outono. Adoro. Nisso sou mediana: gosto mais das estações de preparação que de enfrentamento.
Mas quero um Outono como eu e meu. Um Outono faminto, voraz. Não um Outono normal, mais um de tantos anos. Não um passar de tempo. Espero, dele, muito, mais ainda do que tenho esperado nas últimas estações. E se é como os yôgues dizem, que esta estação é uma preparação para o longo Inverno, preparo-me. E sigo feliz.
A natureza com sua sabedoria, bem conhece o que vem pela frente. As folhas caem para que a árvore mantenha sua energia vital centrada na sobrevivência ao duro inverno. Os bichos guardam esperando o tempo de esperar. Uma espera para o enfrentar de uma época de poucas provisões. Uma preparação já pensando numa Primavera forte e cheia de encantamento. E esta uma preparação para o estonteante Verão.
Sábia é a mãe. Basta atentar. Nosso corpo faz o mesmo, mesmo que não percebamos. É tempo de pré recolhimento. Época de um sol mais ameno, mais horizontal - mas não menos laranja, como as folhas que caem. Nosso sono vem mais cedo, nosso pensar fica mais centrado. Um pensar sobre a vida, um pensar sobre o hoje, um preparar para as mudanças que virão. No Outono, deixamos aos poucos de lado a vida frenética e quase sem pensar do Verão. Vamos nos recolhendo mais, ficando mais dentro, acompanhando o que dita o sol. Nosso corpo pede mornos para nos aquecer aos poucos e raízes para que finquemos os pés, para que estabeleçamos as bases. É hora de ser, de se saber, de pensar, de repensar.
E deste meu Outono, tanto espero! Sementes que plantei e das quais espero meus frutos. Olho através da janela da vida meu pomar com novos olhos além do azul de meus olhos de menina. Escolhas que fiz e, espero, dêem belos resultados. Quero para mim uma boa conheita. Um Outono de folhas dançantes - daquelas que brincam ao vento rompante das tardes. Quero para mim um Outono de cores vivas, sem a palidez do nada. Um Outono vibrante como o pensou Vivaldi. Vivo. E meu.
Quero. E hei de ter. Um Outono que me traga o meu calor. Um Outono que me traga o Amor. Um Outono que me traga. Que me dê. Que me presenteie com o que estou a esperar.
Minha colheita de amar.

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