sábado, 27 de março de 2010

Espelho meu


Fu, O Retorno. Depois de um período de escuridão e obscuridade sempre volta a luz.
Assim falava meu I Ching de hoje, esse abafado sábado em terras gaúchas. E é bem essa impressão que tenho. Afastar-me de mim foi uma ótima coisa a fazer nesse momento. De longe me vejo outra, como já disse ontem. Mas é muito mais do que me ver: sinto-me Joyce. Sinto-me sendo-me novamente. Como que voltando àquela Joyce que já fui,
longe dessa covarde que me tornei.
Depois da escuridão, a luz. Desde quando estive/estou no escuro de mim mesma? Desde que momento da vida me esqueci de me ser?
Já fui uma batalhadora e tanto. Aquela que escolheu, sózinha, de um dia para outro, seu destino. Que deixou para trás o conforto de seu mundo criado e se lançou no seu próprio mundo. Que saiu de casa ainda jovem para estudar em outra cidade, sozinha. Aquela que enfrentou a nova vida tendo como única defesa ela mesma. Aquela que conheceu a vida usando da própria vida. Aquela que apesar de tão pouco se achar, conquistou um mundo. A que sempre usou de boas estratégias para se lançar nos abismos. A que sempre se lançou , sim, de cabeça, com rompantes de paixão pela vida. A que não se deixava levar sem antes querer. A que não se amava mas mesmo assim chegava lá. A que se conquistou e conquistou seu ser. Aquela Jacque, Joca, J, Joyce e tantas outras que sabiam onde queriam chegar. Que sempre soube conquistar pessoas e vidas, mesmo as mais duras. Ou menos válidas.
O escuro, penso agora, cegou-me por longos anos - que vejo, hoje, tão necessários. O escuro - que bem hoje o sei - trancou minha coragem em gaveta com chaves que desvendo, agora, uma a uma. O escuro, penso, deixou-me menos corajosa, mas não menos esperançosa. Fez-me ver a vida com mais cautela, mas não menos requerente. Não menos sonhadora. Não menos capaz de me ser por inteiro, apesar das aparências.
Como um vulcão imponente e silencioso, minha força está lá, minha energia concentrada, pronta para se auto expelir. Para percorrer o mundo como sou. Para marcar os caminhos que são meus. Para que eu volte a ser inteira e de novo. Eu mesma como sou.
Essa que amo ser.
E que estou reaprendendo a amar.

Um comentário:

  1. Gostaria muito de ter te encontrado para tomar um café...

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