domingo, 7 de março de 2010

Invisíveis


Amanhã é do Dia Internacional das Mulheres. Não sei se gosto ou desgosto, já que para mim não faz diferença. Ou não tem feito. Acho que a nenhuma, a não ser as amadas e as amantes.
Faço parte da legião de mulheres invisíveis. Sim, já que não nos vêem como mulher. Somos vistas como mãe, como companheira nas horas difíceis, como organizadora de um lar. Somos conselheiras e orientadoras. Somos professoras. Somos quem deixa o caminho certo para que eles passem pela vida da melhor forma. Somos as primeiras a levantar e as últimas a deitar. As primeiras a lembrar e as sempre esquecidas. As últimas a usufruir do que quer que seja.
Visão ruim, pessimista? Não. Realista. É o que vejo, na minha vida e na de tantas. E olha que a minha vida é bem mansa - por imposição ou jeito de ser. Fico imaginando aquelas que trabalham tanto quanto o homem e ainda acumulam os afazeres domésticos. Que ao invés de descansar ao chegar em casa, como ainda fazem muitos deles, preocupam-se com a janta de todos, com os banhos, com os sonos, com os sonhos. Com as faltas e com as sobras. Com os direitos e deveres. Deveres, aliás, elas tem muitos. Direitos, raros, conquistados com o uso da força que têm. Culpas, tantas, nossa eterna companheira. E ao final de mais um dia, internacional ou trivial, porto de descanso - ou descaso - de muitos.
Ah, se pudéssemos ser nós mesmas. Se nos vissem como fêmeas e não parideiras. Se não fossemos só peitos e bundas. Se nos dessem o devido valor. Ah, seríamos, enfim, Mulheres. E amanhã seria um lindo dia. O Dia Internacional das Mulheres.
Como todos os dias deveriam ser.

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