quinta-feira, 4 de março de 2010

Março


Hoje o dia me acordou estranho. Lembrou os dias de virada de tempo na praia. Céu escuro, vento quente, com aquele silêncio assustador que chega anunciando o temporal. Anunciou e mandou. Só deu tempo de deixar meu filho na porta da escola. Mal enxergava um palmo na frente do para brisa. Nada, além de água.
Banho. Assim pensei, banho. Quem sabe são as águas de Março tão cantadas, fechando o verão. Fechando um ciclo. Anunciando o outono, que tanto gosto. Seus ventos já estão por aqui. Uns ventos frescos, como se viessem da serra. Geladinhos, por vezes. Adoro.
Acaba aqui a correria dos dias de sol. Da energia que emana dele e nos faz velozes. Outono me acalma. Faz-me mais lenta, mais eu mesma. Gosto das estações não definidas. Sou outono e primavera, folhas secas e flor. Nem gelo nem sol a pino. Só nisso sou metade. Mas não na maneira de ver o passar dos dias, as estações do ano, as mudanças da natureza. As árvores soltando seus restos, ficando nuas para começar uma nova vida. Os tons dourados pelo chão, a luz difusa do sol de final de tarde. Os dias que não se definem entre quente e frio, como se brincassem e ser outras coisas. O corpo de recolhendo mais cedo, o pensamento se tornando mais meu, o corpo se fechando aos poucos. Aos poucos me entrego, sigo a natureza. Ela, sábia, sabe o que faz. Eu, aprendiz, sigo.
Mas esse Outono tem uma nova luz. Um novo olhar. Promessa de tempo bom, mais do que a natureza pode me dar. De uma nova vida. Talvez seja uma nova estação em mim, um bem querer que veio para ficar...
São as águas de Março fechando o Verão, é a promessa de vida em meu coração...
(Águas de março, Tom Jobim)

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