sexta-feira, 12 de março de 2010

Maturando


"A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade e querer com mais doçura".
(Lya Luft )

Madura a frase, certeira talvez. Mas falta dela um certo encantamento que me ilumina os dias. Deve ser pelo meu lado menina que não me deixa ser assim tão passiva. Nem tão madura.
Aliás, vejo isso nos textos da Lya. Uma falta de um sei lá o que que lhe ilumine o olhar. Tem ela um olhar profundo, doce, mas triste. Como se trouxesse nele a certeza do envelhecimento da alma. E reflete, a meu ver, em seus textos. Desesperançosos, por vezes.
A maturidade pode ser vivaz, luminosa. Conheço mulheres admiráveis sobre seu salto de mais de 60 anos. Invejo e tento copiar, pois é assim que me vejo e me sonho. Uma maturidade que não deixe para trás o brilho do olhar, o amar a aventura que é viver, o sorriso do bem viver. São avós ou nem tanto, são mulheres de sucesso não só material. Ao se olhar para elas, tanta luz, tanta vida, tanta coisa a dizer além de mágoas que vejo nos olhos de tantas, como se a resignação fosse um consolo. Como se envelhecer fosse sofrer. E que luz vem do olhar de quem bem viveu e vive, de quem se amou e ama, de quem se compreende e se deixar ser. De quem é. De quem não fica no fui, quem fala em sou e vou ser. Quem sonha, sempre, independente da idade.
Serelepes meninas, como eu.
Porque o corpo envelhece, sim. Mas a alma nem tanto.

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