quarta-feira, 31 de março de 2010

Redescoberta


Ontem fiz uma coisa que minha intuição palpitava a muito tempo: caminhei com meu cão à noite. Precisávamos, eu e ele. Ele, surpreso pela surpresa, saiu em disparada. Eu, surpresa comigo mesma de, enfim, escutar-me, segui alegre.
Grata recompensa. No palco, uma noite sem nuvens, envolva numa aragem fresca, ao som de grilos e sapos. Os atores do show, nós. Ele a mil, como se nunca tivesse saído para passear. Eu relembrando as noites divertidas na casa de praia. Ele impulsivo, como se o sair à noite o fizesse mais macho. Eu, menina, voltando no tempo em que televisão e computador eram meros coadjuvantes em minha vida. Voltamos, os dois, plenamente satisfeitos. Ele caiu duro na cama, eu cai delicada em mim.
Quanta coisa boa vamos deixando para trás. Não sabemos mais o sabor das noites. Não sabemos mais o sabor das pequenas coisas, pequenos prazeres perdidos no perder tempo de nossa vida. No caminhar lento sem destino certo. No passear romântico de mãos dadas. Na troca de carinhos ao ar livre, nas promessas românticas ao pé do ouvido, no comer um sorvete a dois. Nada mais sabemos das estrelas, nem que elas estão lá, a nossa espera, todas as noites. Nem da lua que hoje é crescente, amanhã cheia. Não vemos mais sua luminosidade sobre nós. É como se não existissem, lua , estrelas, céu. Nosso céu, hoje, é um teto, nossa visão, uma tela de LCD. A noite, um mero período de passar. Perdemos o espetáculo montado para nós todas as noites.
Um show sem espectadores. Um show para ninguém. Sem aplausos.

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