terça-feira, 16 de março de 2010

Sac(o)!


Esse é o país do embuste. Estou revoltada. Como consumidora e como cidadã. E explico e que me dêem razão os tantos lesionados.
Assinei, burramente, uma revista da Editora Abril. Achei o tema interessante: história. Mas não sabia que ia dar tanta história assim. Primeiro pela entrega e cobrança em duplicidade. Clonagem? Não me perguntem o porquê. Se nem eles sabem, imagina nós, simples consumidores. Depois de vãs tentativas, falando com máquinas e escutando musiquinhas infâmes, resolvi da melhor forma: doei, todos os meses, uma das revistas.
Chegada, enfim, a hora da renovação - que me veio também em duplicidade e com valores e números para contato completamente diferentes, mais parecendo mais uma clonagem. Tentei um número e depois de passear pelos labirintos sem fim dos passa-passa de ligações, esperas infindas e propagandas em meu ouvido já saturado, resolveram dizer que não era aquele o número a ser acessado. Respiro fundo e ligo, de novo. Dá vontade de rir ou de chorar: a mesma musiquinha irritante de fundo, a mesma sequência de propagandas e informações em voz de aeroporto, a mesma brincadeira irritante de passa-passa. Lembrou-me um programa de humor. Atende-me uma sem nome. Pede motivo, que nesta altura não em faltam. Digo, todos. Conto a minha versão da história. Diz que está tudo ok, tudo cancelado, depois de infindáveis dados. Peço um número de cancelamento, algo que me dê a certeza do sossego. Não tem. Pergunto como funciona isso, caso venha a ter problemas. Ela avisa que é assim o procedimento e que por isso está tudo gravado. Respiro fundo e deixo meu recado, os porquês, todos. Discurso sobre os meus motivos. O como queria ter sido atendida. O que esperava de uma empresa que trabalha, mesmo que indiretamente, com a cultura de um país. Peço desculpas à atendente, que, pelo descaso, parece já acostumada. E após longos e exatos 59 minutos perdidos em minha vida, desligo. Fica em mim a sensação de impotência. De um não atendido. De um não ser cidadão. De mais uma vez ser considerada um número, uma gravação, como se fossemos robôs. Números. Deu saudades do tempo de compra de caderneta...quem sabe é por isso que o nome da revista é
"Aventuras na História"?

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