sexta-feira, 26 de março de 2010

Spa


Sexta-feira e eu aqui olhando esse espaço em branco. Sexta-feira e chove em Porto Alegre. Chuvinha fina, não avisada. Não interfere no dia que tenho pela frente, mas faz da cidade grande um tanto quanto melancólica. E de mim , mais pensativa.
Aproveito meu "spa" para me saber. Para mim, meu estar sozinha me faz bem. Como se me renovasse. Eu, renovada. Ou renovando. Estar comigo mesma é o melhor que me dou. Eu e minha vida, meu nós. Indiferente ao que tenho ou não para fazer, sozinha, sou outra. Ou eu mesma, sem as amarras. Um ser sem pressa. Um vivente, não passante. Espero meu café, programo meu banho. Escrevo. E nesse lento compasso, penso-me, toda. Penso-me, assim, de longe, com vistas da outra Joyce que sou. Ver-me, assim, de longe, como quem vê outra pessoa, fortalece-me. Como quem lê um romance. Ou escuta uma amiga falar de seus problemas. Penso nas coisas que fiz e nas que me escaparam, sorrateiramente, no passar dos dias. Listo em minha mente, hoje em compasso de férias, os sonhos não realizados e os tantos a realizar.
Mas a vida me parece melhor no agora. A vida me parece melhor no hoje. Talvez porque veja , hoje, só o que quero. Talvez porque vejo meu nós fortalecido. Porque vejo meu eu nos olhos do outro. Talvez porque hoje me veja como sou. Meu ser eu mesma.
Hoje é sexta -feira, e eu, mulher que sou, curto meu spa de me amar.

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