terça-feira, 16 de março de 2010

Terno


Ontem envelheci. E explico. Meu filho, único, que completou 15 anos esse fim de semana, foi convidado para fazer parte do "bolo vivo" ( 14 casais dançando em volta da aniversariante e seu par...é, ainda existe isso...) de uma amiga de classe. Pedia-se terno ( ou roupa, como dizem os especialistas) na cor preta. Fomos nós a procurar. Ele com seu alto bom gosto e eu com minha tarefa de pouco gastar.
Foram várias tentativas, dado ao número, pequeno, que usa. O mundo mudou, usa-se terno bem mais cedo, mas esqueceram de avisar às lojas. E para um homem mirim que espera de uma roupa tudo de bom que ela tem a dar, tarefa árdua. "Não quero parecer um garçom", dizia ele, a cada loja que entrava.
Por fim, achamos. Tarde perfeita. Belo atendimento, roupa à altura ( e tamanho) do exigente consumidor, terno ( ou roupa?) italiano com preço brasileiro. O filho contente com a padronagem, a mãe com a promoção, o vendedor com a meta atingida. Éramos só sorrisos.
Soluções à parte, volto a fita. Ver meu filho, ali, escolhendo, experimentando, discutindo com o vendedor os detalhes de tecido, feitio, manga, barras e preços (sim, ele se preocupa com isso) feito um grande homem, envelheci. Disfarcei minha emoção - ou seria encantamento? Ou um acordar? - Um homem. Que ainda me pede carinho, rouba-me beijos, mas um homem. Não mais o bebê que ligava o vídeo as seis da manhã para esperar o "tetê". Nem o menino que montava Legos ou fazia manobras com os carrinhos de ferro. Nem o moleque que fazia malabarismos com a bike (...bicicleta? o que é isso?).
Um homem. Ou quase isso. Olho-me no espelho e não me vejo mãe. Vejo-me mulher. E cada dia mais. Como se o crescimento dele me trouxesse vantagens desconhecidas. Como se eu visse que valeu a pena e que posso continuar meu caminho de bom grado. Meu caminho de ser ainda mais feliz. Meu caminho de me achar. Caminhar de quem fez sua parte, deu o seu melhor.
Sigo feliz. Terno momento.

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