quarta-feira, 3 de março de 2010

Tic tac


Acordei como o dia, melancólica, como o lento passar do tempo. Uma saudade do que não sei, do que não conheço. Saudade de um amanhã que teima em demorar. Das horas que nem ainda vieram. Vontade de um gosto que ainda não sei. De um calor que ainda não senti. Do abraço prometido, do beijo esperado. Da promessa a ser cumprida. Da comprida espera.
Tic tac, tica tac, tic tac...
Saudade da nova era, do meu novo ser. De um nós. Tenho saudade do que ainda não vivi, mas sonho. Da palavra que já sei, mas dita pela boca que desconheço. Da força do abraço que me enlaçará um dia, ou muitos. Do olhar que muito já me prometeu, mas que ainda não olhei. Sou saudade pura. Infinita. Palpitante saudade do que ainda não vivi. Mas vivo.
Estranha essa sensação. Um viver de amanhã. Um viver esperado, nada comedido. Um esperar esperançoso demais da conta. Até parece conversa de louca, mas estou o mais lúcida possível, dentro de minha própria escala joyceniana de ser, que vai do nada ao tudo. Deve ser essa espera de anos. Deve ser essa ansiedade do tudo. Essa apaixonante mania de querer bem viver.
De me sentir viva.
Viva!

Nenhum comentário:

Postar um comentário