segunda-feira, 15 de março de 2010

Viva


Assisti ontem, a convite de meu filho, ao filme Simplesmente Complicado (It's complicated!), com a maravilhosa Merry Streep. Fala de uma mulher que depois de dez anos de divórcio e de terapia, resolve ou é levada pela vida a ser amante de seu ex, agora casado com uma mais nova. Ou seja, vira a "outra". Até ver, como deveria ter feito desde o começo, que está acima disso tudo, que se superou , que é, sim uma mulher completa. Já criou seus filhos - todos já saindo de casa - é uma grande profissional, uma grande mulher. E acima de tudo, sabe bem viver. Nas confissões- sempre tão necessárias e tão relaxantes que temos, quando temos ( eu nem sei mais o que é isso, já que fui renegada...) - com as amigas, os melhores diálogos. Ali, muito de mim, de nós, mulheres, sempre atrelando nossas vidas aos filhos, aos companheiros, deixando para sermos nós mesmas só depois que eles " se vão". Quando se vão...
E quanta luz na personagem. Que inveja boa tive/tenho. Fiquei me pensando daqui uns anos. Que tipo de mulher madura serei? Será que manterei essa vivacidade? Que diferença faz as mulheres que tem vida própria, que seguem seus caminhos, que não dependem de ninguém, a não ser delas mesmas, para decidir sobre suas vidas, para saber o que quer dela.

Eu não posso reclamar. Não por enquanto. Não como mulher, já que me sinto mais eu mesma a cada dia, a cada aniversário do filho. Como um desprender. Como se minha tarefa principal fosse aos poucos completada. E como se a cada dia eu estivesse podendo ser mais eu mesma. Mais madura, mais centrada, mais dona de mim. Saber o que quero e o que não quero, já um bom sinal, penso. Fazer minhas escolhas de forma mais livre, sem tantas culpas. Sem tantos " se". Ou tantos "quando'. Se eu fosse mais nova; quando meu filho crescer. Se eu fosse mais independente financeiramente; quando ele sair de casa. Se eu me soltasse mais; quando achar um grande amor. E assim sigo, cheia ainda de "ses" e "quandos". Melhor que nada, já que questionar é crescer.

Mas não posso negar - e nem a vida me deixa pensar de outra forma. Sou vinho de boa safra, guardado em boa adega. Cada dia melhor. Quem de mim beber, saberá.

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