domingo, 25 de abril de 2010

Terceiro ato


Fim de semana chuvoso e frio. Seria um igual an tantos outros se meu filho não estivesse recebendo os amigos numa, digamos, versão atualizada da "noite do pijama" como chamávamos quando ele convidava os mesmos amigos para passar a noite juntos.
O fim de semana especial começou cedo, ainda ontem, quando foram se divertir juntos. Depois, almoço, sozinhos, no novo shopping - o que durou quase a tarde toda. à noite , pedido de comida chinesa e um papo descontraído na mesa de jantar. Deixei-os sozinhos para não atrapalhar, mas me diverti com as conversas , observando de longe. Orgulhei-me da boa conversa, das piadas inteligentes, das tiradas perspicazes. Senti um certo conforto, uma sensação de dever "quase" cumprido. Orgulho, diria. Meu mais importante projeto, enfim, quase finalizado. Faltam ainda uns detalhes, como sempre acontece. E eu, com minha'lma de arquiteta, sei bem que sempre falta alguma coisa, sempre algo pode ser melhorado. Se não por mim, pelo mundo.
Lembrei da frase que minha irmã escreveu no livro sobre bebês logo que ganhei o meu - hoje um "quase homem" de 15 anos: "filhos são feitos para o mundo", saída das sábias frases de Khalil Gibran. "Seus filhos não são seus filhos. São os filhos e filhas da Vida desejando a si mesma", já dizia ele.
Filhos são feitos para o mundo. Tenho isso bem nítido em mim. Sempre tive. Sempre fiz com que se virasse sozinho, sem redomas. Não o aprisionei, nem super protegi, nem incuti nele minhas ideias e por isso fui muito criticada ao longo desses anos todos. Pelo largar, que acho tão importante para eles. Mas minha melhor crítica vem de mim mesma, de minha consciência limpa de ter feito o meu melhor. A prova está aqui, ao meu lado, servindo o café para os amigos. Sem a ajuda da mãe, goste ele ou não.
Filhos são feitos para o mundo. Penso que cabe a nós, pais, apenas um ver de longe, um assistir a próxima cena. Talvez dar uns toques no intervalo da peça. Mas o sucesso deles não depende de nós. Nem o nosso deles. Porque somos amigos e não proprietários. Somos meros coadjuvantes da peça que eles escrevem todo dia ao acordar...sua saída do casulo de ser meu.

Gibran Khalil Gibran , poeta libanês-americano (1883, Líbano /1931, Nova Iorque).


2 comentários:

  1. E Gibran continua com toda razão.
    É a lei da vida....
    Bj,
    Meg

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