sexta-feira, 16 de abril de 2010

Conspiração


Como já cansei de falar aqui ( que bom, indica a veracidade do que falo...), viajar é tudo de bom. Por "pior" que essa viagem seja. Por mais perto que seja. Por mais sem graça que pareça.
Ainda no táxi, descobri como tem mulheres guerreiras por aí ( a mulher do taxista tem filha pequena e mesmo assim dá aula o dia todo, inclusive viajando a noite para trabalhar). Já no ônibus, típico pinga-pinga, passando em "asfalto", estrada de terra e beira-mar, a conversa entre duas mulheres traídas pelos maridos me fez rever os porquês que os casamentos não dão certo e como os levamos adiante sem nem saber os porquês. Depois a aventura de descer numa "rodoviária" que mais parecia de filme mexicano, onde o rapaz que tira a mala do ônibus é o mesmo que atende na agência de passagens - e ele mesmo o único taxista. E olhem que não estava no fim do mundo: a cidade tem um dos aeroportos mais movimentados de Santa Catarina.
Enfim, chegada ao local desejado, a surpresa: a empresa aérea adiantou meu vôo para aquela hora mesmo, e sem qualquer acréscimo de valores. Uma cortesia que mais me pareceu um presente adiantado de Natal, tamanha a felicidade ( não contei, e nem me perguntem o porque, mas ia passar algumas tantas horas esperando meu vôo noturno). Entrada no avião, empresa não conhecida, e uma turbulânica que nos fez rir até, pensando estarmos numa montanha russa digna de Beto Carrero. Até o fato de descobrir que no aeroporto de Porto Alegre tem cinema, e que o vento de Outono do sul é mais frio, as surpresas foram muitas.
Boas ou nem tanto, penso que surpresas - aqui no sentido de toda coisa nova que conhecemos - sempre nos servem de algo. Por comparação ou reconhecimento, ou melhor ainda quando jamais imaginadas, sempre nos levam a pensar , talvez de forma egoísta, que somos melhores ou piores que o outro. Ou que estamos acima deles. Ou que coisas que nos parecem absurdo são o dia-a-dia de outras. Ou que podemos ser surpreendidos, ainda, com um bom serviço, um bom atendimento: o gerente da empresa aérea nem sabe o quanto resolveu em um segundo um problema que eu mesma tinha criado e que me remoia a dias...
E eu aqui, agora, sob o vento outonal da capital gaúcha, resolvendo meu futuro , pensando numa nova vida e vendo como o mundo conspira. Mesmo ou até mais para pessoas teimosas feito eu. E mesmo que não se acredite muito nisso. Conspira. Basta estarmos atentos. E eu juro que estou. Deixo o relógio do dias me levar, seja da forma que for.

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