sábado, 17 de abril de 2010

Encantamento


Livros. Não é de hoje que tenho um certo fetiche por eles. Seja numa biblioteca, livraria ou casa de alguém, fascinam-me. Amor conquistado desde pequena. Não sei se pelo retrato de sabedoria que me passam, ou pelo próprio cheiro que amo. Ou pelo que me dizem: aqui tem muito saber. Muita vida. Muito encantamento e muita descoberta esperando para serem desvendados. Uma história, vivida ou imaginada. E quanto mais amarelados, mais respeito. E quanto mais coloridos, mais infantis, mais me divirto, assim como me divertem as palavras.
Aliás, esta deve ser a chave de tal feitiço: as palavras. Já é sabida a minha paixão por elas. As escritas, as faladas, as pronunciadas com precisão, as engasgadas pela emoção. As não ditas, mas imaginadas. As que me vêm de um complexo olhar ou de uma tão simples olhada. As poucas, acompanhadas de olhos molhados. As muitas desde que ditas com razão. Até as veneradas por mim pelo sentido dúbio.
Uma relação de amor e ódio. Detesto as mal ditas. As ditas por acaso da raiva ou falta de sentido. As ditas por dizer na tentativa de me convencer do contrário que dizem os olhos. Do contrário do que me dizem os atos. As ditas só para ferir. Alguém, "letrado", já disse que são facas afiadas. Ou carinho a acalentar. Mas não temo mais as palavras, porque as penso antes de libertar. Sou mais, sempre, as que me fazem pensar. Ou sonhar. Com elas, cresço. Devem, morar nestes livros que me chamam. Acho neles, enfim, o meu lugar.

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