quinta-feira, 8 de abril de 2010

Mochila


Ontem fui a uma reunião sobre detalhes de um intercâmbio que meu filho deve fazer no final deste ano. São cinco semanas , entre estudo de espanhol e viagens de conhecimento, entre Espanha, Portugal, Inglaterra e França (passa em Paris a virada de ano...). Enquanto a falante professora - e acompanhante, divertidíssima - fazia-nos sonhar mostrando as imagens de anos passados da "criançada", sonhava também eu. Como se visse ali meus sonhos meio que realizados. Meu sonho de conhecer o mundo - um sonho que ficou para trás, meu sonho de saber muitas línguas - e esse eu mesma deixei pelo caminho, enquanto cansei de tentar saber o inglês e desisti do espanhol enquanto aprendia o básico de italiano.
Vejo isso ao olhar para o meu filho, um "carinha" que veio apressado, sem planos, bem como foi - e é - a minha vida. Um realizar nele coisas minhas. Estuda num ótimo colégio, já fala quase que fluentemente o inglês ( eu ainda no "the book is on the table"...), estudando espanhol com afinco e no caminho de se tornar um cidadão espanhol (graças à família do pai). De vivenciar o intercâmbio na Espanha, e - batalho por isso como nunca batalhei por coisas minhas - imendar com um intercâmbio de uns meses em algum lugar da Europa. Sonhei alto: vai morar fora do país (quantas vezes me peguei imaginando isso para mim!) , aprender, quem sabe, mais uma língua ( e ai já seriam quatro...um poliglota!), ser um cidadão espanhol - e do mundo. Já o vi morando lá fora, ou voltando lá como se fosse a sua casa. Não que não me agrade a ideia dele morar no Brasil, mas sempre vi nas pessoas que moram fora daqui - ou pelo menos longe de casa ( não troco essa experiência por nada!) - um diferencial. Como se fossem mais sabidas, mais "safas". Como se o mundo delas fosse bem maior do que o meu. Enfim: nele, eu, como queria ser.
Volto para casa pensando em mim. No que me aguarda. Sim porque, perdido o posto "presente" de mãe, sobro eu mesma. Sobra a Joyce para se viver, depois de 15 anos de dedicação de mãe quase que exclusiva. Sobra a Joyce que tem tanto a aprender. Sobra a Joyce que tem tanto a correr atrás. Como um semestre sabático que, espero, aproveitarei para crescer como profissional e como mulher. Assim, quando meu filho voltar, então mudado como espero, aqui estarei, mais madura e mais vivida, vendo em mim não só a mãe, mas a amiga que tanto sonhei ser. E que, imagino, ele sempre sonhou encontrar.
Quem sabe vejo nele um pouco mais de mim, por trás da "cara do pai"...

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