quarta-feira, 28 de abril de 2010

Nova


"Eu estou quase achando que posso me lembrar de me sentir um pouco diferente…”
(Alice no país das Maravilhas, Lewis Carroll)
Tudo tem lembrado Alice. As páginas das revistas, os e-mails que me chegam mostrando móveis - tanto que fiz uma matéria em minha revista sobre o assunto, sobre o banho de Alice na moda das ruas e das casas- , as vitrines das lojas e livrarias. Fico aqui pensando como um filme - não sei exatamente se ele ou sua campanha publicitária - pode mover o mundo em "prol" de algo. Bom se fosse algo que tivesse mais utilidade, menos futilidade, mas, enfim, dá um bom caldo para meus textos (risos).
Então li essa frase em uma delas. E combina muito com meu agora. E explico - pelo menos o mínimo para que me entendam e não me internem de vez. Passei os últimos 15 anos de minha vida ( e mais uns meses de gravidez) esperando a vida acontecer. O fato é que passei por tantos sustos , uma sequência deles que, derrepente, me vi medrosa. Ou melhor: medrosa em umas coisas, melindrosa em outras. E melindres e melancolia não movem o mundo de ninguém. No mesmo ano perdi emprego, irmã, apartamento, carro. E o "gran finalle": descobri-me grávida, ainda deitada na mesa de exames da médica que tinha procurado alegando estresse. Nadei, nadei e morri - ou quase - na praia. Sai de um ótimo padrão em Curitiba e fui morar na chamada "curva do tomate" - para quem sabe, divisa com São José dos Pinhais. E bem no tempo da famosa aranha marrom e do sequestro de crianças, tudo no mesmo lugar e ao mesmo tempo, no meu bairro. E eu com um filho ainda pequeno. Cabe ai a tal frase: "desgraça" não vem sozinha. Enfim, paralisei. Deixei lá minha coragem. E recebi a vida como me veio. Fui feliz como podia ser. Lições da vida? Poupar para os tempos de inverno - lembra da história da cigarra? - e sempre ver um lado bom nas coisas, por pior que se apresentem. Morreu em mim a pedância, nasceu a fragilidade e a aceitação. E marcas do medo.
Enfim, não é mais hora de lamentos. Estou aqui lutando por meus direitos - a meu modo, passo-a-passo, sem declarar oficiosa guerra. Meu bebê já é um quase homem, e eu não tenho mais desculpas que me impeçam de me ser. Tenho achado meus caminhos ainda em passos lentos, numa caminhada desenhada a lápis e papel, mas os sei. E sei o quanto são corajosos. E como a menina Alice , "eu estou quase achando que posso me lembrar de me sentir um pouco diferente…”. Ou mais eu. Ou eu por inteira. Não sei se um livro novo, ou um novo capítulo do mesmo. Mas as palavras a colocar são mais maduras.
E assumidamente mais felizes.

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