sexta-feira, 2 de abril de 2010

Orquídeas


Retirantes. Era o que parecíamos ao viajar para passar a Páscoa com meu pais. Cada um, eu e meu filho, fiel escudeiro, com sua mala, mais uma só de doces para agradar avós e tias. E, pasme, duas orquídeas, as mais belas da coleção dele, para presentear a avó e a "madrinha emprestada" (uma longa história, mas que vale a pena contar outro dia...), no caso, minha irmã.
Uma grata lição, essa. A de se fazer o que se quer - ou o que sabemos que vai agradar aos que amamos - sem nos preocuparmos com os incômodos. Com a chateação de se viajar cheio de malas e pacotes. Melhor ainda, sem ligar para o que pensam os outros que nos olhavam com cara de pasmos. Talvez nos achando ridículos. Ríamos, eu e meu filho, de nossa aventura nada prática. De nossa picardia. Ríamos de nós mesmos, no que sempre ríamos dos outros.
Troca de papéis.
Mas não posso deixar de me emocionar ao rever a cena. Ele escolheu suas melhores plantas, embalou e as carregou com todo cuidado possível nas quase sete horas de viagem. Trouxe-as praticamente no colo, feito bebês. Quantos adolescentes o fariam? Quantos teriam tamanho desprendimento - o de dar - e tamanha paciência e cuidado - ao carregar? Talvez o fizessem pelo seu vídeo game ou laptop. Nunca flores. Nem sequer presentes.
Cá estou eu, sã , salva e feliz, esperando o almoço de sexta-feira santa. Já acarinhei meu filho pela manhã, já caminhei com meu pai, já fiz compras para minha mãe. Já deixei a sobremesa de aviso, já ajeitei a salada. Dia bom de se viver. Quanta coisa poderíamos ainda fazer se deixássemos de lado tantas manias, tantas vergonhas, desconfortos e hipocrisias. Quanta coisa poderíamos viver de verdade se fossemos nós mesmos.

Um comentário:

  1. E o vaso de orquídea está ali onde eu possa enxergá-lo a toda hora.Na minha sacada.Onde quer que eu sente no sofá posso zelá-lo e lembrar do meu afilhado tão especial.
    Bj,
    Comadre

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