sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pingos



"Olha,
Entre um pingo e outro
A chuva não molha."

Esse versinho quase infantil de Millôr Fernandes me fez sorrir, o que é prenúncio de um verso bom (risos). Achei leve e inteligente, a mesma leveza e inteligência que vejo nos filmes ditos para crianças , em que as mensagens não são para as crianças, e sim para os adultos. Sentados, todos nós, nas confortáveis poltronas e catando pipocas, rimos da intenção enquanto os pequenos riem do desenho. Quanta verdade no diálogo entre a vaca e o frango, entre os pinguins sempre tão inteligentes, nas falas da formiga teimosa. Nas personagens muito de nós,
nosso trejeitos e manias, nossas falas do cotidiano.
Mas voltando à frase de Millôr - antes que me perca a falar de desenhos, que amo , e lembrar, num susto, que ainda não assisti Alice !!!- adorei pensar assim, muito além da chuva. Tanta coisa a se pensar sobre este pequeno tesouro em forma de palavras. Um mundo todo entre um pensamento e outro, um pingo e outro. É, entre um pingo e outro, o alívio - no meu caso nem sei, pois amo a chuva. Entre um problema e outro, um oásis. Mínimo, quase imperceptível, mas está lá. Uma "nanofelicidade", eu diria. Mas de um valor enorme, quase incálculavel,
como do número de pingos que caem.
Está lá. E deve ser isso que me conforta, que me deixa deixar levar.

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