sábado, 3 de abril de 2010

Tempero


Paixão. Isso é o que nos move. E vi neste final de semana da melhor e da pior forma. Da melhor, um senhor de 83 anos em plena atividade física e cerebral. Faz ginástica todo dia feito um jovem, e vive a vida feito um menino. O sorriso estampado dava a receita que ele mesmo definia: paixão. Paixão pela vida, paixão pela música, paixão por ele mesmo.
Da pior forma, meus pais - e tantos outros idosos por aí. Falta -lhes algo. Falta-lhes um fogo interno, algo que os impulsione a viver de outra forma que não desta, engessada. Um levantar e deitar com hora marcada. Um nada fazer a não ser ver o passar do tempo. Viver tendo como grande companhia a tela da televisão e sua visão nada criativa da vida.
Ah, que medo tenho de ficar engessada. Medo de perder o interesse, o fogo que tenho pelas coisas que me encantam. Pelas pessoas que amo. Pelas palavras que me fascinam. Pelo saber que me encanta. Pelas coisas simples da vida que vem me escapando pelas mãos. E outras tantas que venho redescobrindo. Medo de perder essa paixão louca de viver,
meu lado sapeca de ver as coisas, meu lado mulher de vivê-las.
Paixão. Ela que me move. Ela que me tempera. Ela que dá gosto à minha vida. Apimenta. Arde. Não me deixa ser mais uma, não me deixa incapaz. Põe para fora o todo que sou e
o todo de que sou capaz.
A noite passa lá fora e eu aqui pensando em pegar meu amor pela mão e contar as estrelas, namorando à luz da lua...

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