quarta-feira, 21 de abril de 2010

Tesouro


É como eu sempre digo: viajar é a melhor forma de conhecer o mundo e a vida. E por isso mesmo conhecer muito de nós mesmos. Ontem fiz uma "peregrinação". Peguei avião, táxi, ônibus e tudo o mais para voltar à casa de meu filho - nem mesma sei se é ainda a minha casa ou se minha casa sou eu. E nestas tantas andanças não perdi meu tempo de viver. E conhecer mundos tão diferentes. Se não me serviram de exemplo, serviram de palco para mais um texto.
Da conversa com um jovem - em idade, porque em alma, eu mesma o sou - que está a descobrir o mundo, a escolher seus primeiros caminhos sem segurar a mão da mãe, descobri que estou no caminho certo na educação do meu filho. Falamos da diferença que faz na vida de todos a experiência de morar longe da redoma dos pais, convivendo bem de perto com as diferenças, com o mundo dos outros. O como isso dá base para saber como enfrentar o mundo. Eu bem o sei. Depois conheci um senhor que resolveu viver só depois de seu "susto com um derrame", como ele mesmo falou. O contraste das mãos trêmulas com a certeza de querer viver me impressionaram. E aproveitei bem essa minha maneira não preconceituosa de escutar. Fui toda ouvidos, diria. Seu hobby é pegar um ônibus para alguma cidade vizinha, passar o dia e depois voltar ao lar. Assim, mesmo, sem lenço. Sem documento já não sei, pois nada se faz mais sem eles. Gosta de sentir essa liberdade. Seu prazer está em caminhar por ruas não conhecidas, conversar com pessoas menos ainda.
Para completar, uma médica. Contra tudo e contra todos, cursou Medicina na Colômbia. Foi sozinha, mala na mão, pagando de seu próprio bolso, escolhendo seu destino, realizando seu sonho. Fez. Voltou. Lutou contra várias doenças, e ali estava, fogosa pela vida, a procurar mais. Esperar tudo. Dela e do mundinho ao redor que a chama de louca. Linda, em seu modo livre de viver.
Dá para acrescentar um dado a tudo isso. Não é só a viagem em si. É muito mais o se abrir para ela, para o que nos apresenta. Ver a paisagem da vida com outros olhos, curiosos, respeitosos, longe de preconceitos. Conversar também nos faz crescer. Conhecer o outro faz abrir caminhos nos sonhos. Faz com que nos sintamos capazes - ou pelo menos sabendo o que não queremos para nós. Faz com que nos sintamos vibrantes, longe da anestesia geral. Que vejamos no outro nossos sonhos projetados (ou não...).
Sigo meu caminho caminhando do meu jeito, mas não posso negar que a história dos outros mexe comigo. De um jeito ou de outro.

2 comentários:

  1. Me pareces mais feliz. Que bom!. Ma

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  2. Joyce, eu teria muito prazer em tomar um chima contigo, em Ipanema ou outros lugares maravilhosos q conheço aqui em Porto. Se aceitares meu convite é só confirmar pelo orkut. Grande abraço

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