sábado, 29 de maio de 2010

Aceitação


Acho graça da forma que invado os diferentes campos do saber e os trago para mim, para as coisas mais simples do dia-a-dia. Estou lendo um livro chamado Observatório de Sinais, teoria e prática da pesquisa de tendências, de Dario Caldas. Mal comecei , e tenho meus parâmetros para pensar, meus "pré-conceitos". A palavra, tão comumente falada por nós, seja de roupa ou a de engordar. Vem do latim tendentia, "particípio presente e nome plural substantivo do verbo tendere, ou seja "tender para", "inclinar-se para", "atraido por". Desde o berço vem carregada de alteridade - que vem de nossa necessidade de interagir e interdepender de outros -, de movimento, constante, e abrangência ( no sentido de estender, desdobrar). Complexo. Bem mais ou tanto mais que desenvolver uma.
Bem, mas vamos ao caso. Assusto-me com algumas tendências, principalmente de moda. A magreza exagerada das meninas me assusta, ( ok, não estou defendendo meus quilos a mais...). Comentava isso com meu filho outro dia no shopping. Com suas calças skinny, tais figuras mais parecem garças. Mal conseguem andar direito - não sei se pelas calças super justas, pela fraqueza das pernas ou pelos saltos exagerados. E estou falando de meninas, de 12, 13, 14, 15 anos, quando eu ainda brincava de bonecas (ok, sou - ou fui - atrasada...). Esse tipo de mania, diria, que prejudica, assusta. Mas também não sou a favor de usar a moda desacabida - no sentido de não caber, literalmente - como mulheres de perna grossa de leggings de tigresa ou berrantemente brilhantes. Nem piercing em umbigo de quem tem "barriga" (ok, todas temos, mas eu não usaria!! - risos). Vemos - e muitas vezes compramos - coisas e ideias que não nos cabem, talvez pelo simples medo de nos sentirmos excluidas. Fora de moda, diziam os antigos. Out, dizem os atuais.
Gosto das propagandas que me fazem gostar mais de mim mesma. De que temos todas alguma beleza, a nossa beleza, única. Com a idade que temos e suas tantas dobras e vincos. Com o rosto que temos, marcado pelas rugas da vida. Com o corpo que temos porque decidimos pelo pudim após o almoço - ou o pote de sorvete quando necessitadas (por excesso ou falta). Não uma tendência, nem uma moda (a tal tendência, que deu certo). Não o cabelo da atriz quando em cena, mas quando ela acorda. Bom senso e cuidar-se nunca são demais. E uma boa olhada no todo antes de sair...
Hoje desisti de ter cabelo liso. Assumi meus ondulados, quase selvagens - às vezes meio caninos até - e me sinto bem. E faço umas leves mechas para disfarçar a idade que chega. Só não quero me olhar no espelho e ser mais uma (ligue a tv, só da cabelo escuro na raiz e claro nas pontas...). Hoje desisti de ter o peso de solteira. Descobri que me envelhece, não sei se pelo rosto que encolhe ou pela tristeza de não saciar a gula. Acho que fica mais saudável me cuidar quando quero e comer sobremesa quando em companhia feliz. Caminhar para deixar as partes duras - e o ânimo em dia - e não ter que fechar tanto a boca. Pintar bem para realçar meus olhos "da cor do mar" como dizia minha mãe. E , ah, sorrir, muito e sempre, o que me deixa mais bonita (sorria com vontade e veja como atrai olhares, feito mini saia!). E rir muito, de mim e da vida, porque só assim me reconheço. E me abro para amar.
Olho-me no espelho e tento me gostar mais. Aceito a idade e fujo da tendência, se ela não me satisfaz. Até porque ela passa, e eu quero mais é ficar!

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