quarta-feira, 19 de maio de 2010

Alerta


"Diga-me e vou esquecer; mostre-me e vou me lembrar; envolva-me e eu vou compreender".
Essa frase acompanhou toda a minha caminhada matinal, aproveitando a companhia do sol. Nem sei onde li, mas acho que em um dos tantos textos que ando passando os olhos. Sei de sua veracidade e a aplico em minha vida sempre que dá. A gente que é mãe sabe a diferença entre falar algo - mesmo que sejam tantas e tantas vezes - , mostrar ou enfim, fazer-se entender. Tenho usado muito dessa técnica para envolver meu filho ainda mais na vida, já que me restam poucos anos de mãe em tempo integral. Procuro fazê-lo ver a realidade das coisas, o quanto não nos importamos com coisas que farão falta um dia. Eu que luto para que ele faça um belo intercâmbio e se descole dos pais por uns meses, sei bem onde pretendo chegar. Sei bem onde pretendo que ele chegue.
A mordomia nos deixa acostumados. Mal acostumados. Há sempre a certeza de que alguém vai completar a nossa ação, resolver nosso problema, fazer o que nós deveríamos ter feito. Então é chegado o dia que as coisas não acontecem. Descobre-se que as roupas sujas não são auto laváveis - nem auto secáveis ou auto passáveis - , nem ao menos têm pernas para irem sozinhas para o cesto de roupas sujas. Que as comidas e louças deixadas na mesa ficarão lá até criarem musgos. E bichos. Até virarem mini planetas habitados por seres nada sadios. Que o papel jogado no chão ali estará quando voltarmos, assim como a cama desarrumada quando chegarmos cansados. Nem o café estará pronto quando levantarmos, como sempre atrasados - se levantarmos, já que ninguém nos acordará com um bom dia.
Pior que isso: não teremos, infinitamente, mães para resolver o que devemos vestir. Lembrar do agasalho, nem do guarda-chuva. Nem cobrar se estudamos o suficiente para a prova de amanhã. Nem ao menos o que devemos fazer, frente ao desconhecido. Nem chorar por nós na hora da indecisão ou dor. Talvez estejam do outro lado da linha telefônica a nos acalmar, orientar, sugerir, xingar, mas nada além disso. Talvez chorem baixinho e sozinhas, mas bem longe de nossas vistas. A última escolha, a última palavra será, feliz ou infelizmente, nossa.
Nosso jogo, enfim, começado.
Ah, mães, quanta falta fazem. Pais também, quando o são de verdade. Mas estaremos ali, a postos, sempre que precisarem. E estaremos vigilantes, alertas, sem que saibam. Só estaremos cuidando um pouco mais de nós também...quem sabe arrumamos alguém que nos cuide?

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