segunda-feira, 24 de maio de 2010

Bagagem


Segunda - feira, das muitas que ainda terei. Acabo de chegar de viagem de Porto Alegre, após uma noite dormida aos picados no para e anda de um ônibus. Chego em casa e vejo a revirada do final de semana na pia e no chão dos quartos. Mas não ligo, estou bem.
Sei o que quero e sei que vou conseguir.
Acima de estar estudando o que quero e onde quero, e acima de estar simplesmente estudando, o que por si só já seria uma benção, vejo-me outra. Tive um final de semana abençoado pelo tempo e pela vida. O sol de outono, acompanhado de seu delicioso vento. A noite fresca anunciando o inverno. Um bem viver entre a correria do curso e a calmaria da vida. Vejo estes dias longe de casa como férias. Inegável isso. E sem culpas. E fico aqui pensando se não poderia ser sempre assim. Ou quanto tempo ainda vou esperar por isso.Viver bem ao lado de quem se ama. Viver, na verdade, coisa que não tenho feito por aqui.
Longe de estar me desfazendo das coisas boas que aqui tenho, resumidas a um filho e um cachorro, quero mais. Somar a eles a mulher que sou. Viver-me intensamente, longe de cobranças e desilusões. Sentir-me, coisa que abandonei. Ser o que sempre fui, embora guardada em algum vazio do caminho.
E nessa nova vida, vitórias. A do ser reconhecida, a do ser respeitada. A de ser algo, ser alguém. A de ter voz ativa. A que perde o medo das pequenas e das grandes batalhas. A corajosa que enfrenta o desconhecido, feliz em conhecer novas coisas, feliz em se reconhecer nelas. A que ri quando quer e onde quer. A que ri como gosta, o que já é um prêmio. A que fala o que pensa. A que é ouvida. A que entende e é entendida. E acima de tudo, a que assume suas rédeas, mesmo que aos poucos, suas rédeas de ser mulher.
É segunda-feira e chove. O dia combina comigo. Olho a agenda e leio as anotações, ajeito o pensamento. Mas já de olho na próxima corrida.

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