terça-feira, 11 de maio de 2010

Desabafo


Outro dia assisti uma entrevista com Cristiane Torloni (nem vou aqui desfilar meu entusiasmo pela pessoa e pela atriz. Dava um texto.) , já conhecida por suas frases de efeito "moral". Falava da diferença em ser ignorante e ser burro. Ignorante, falava ela, é a pessoa que não sabe, que ignora o assunto - o que não quer dizer que não possa aprender, que não tenha interesse. E que burra é a pessoa que tem o saber, ou o tem ao alcance das mãos e não faz nada de útil com ele. A que sabe ler, mas não lê, por exemplo.
Achei interessante e atual o tema. Recebo inúmeros e-mails de amigos - muitos até empresários, colunistas, gerentes de alto escalão - e sinto, em todos , a dificuldade com as palavras, tanto em escrever bem quanto em escrever correto. Ou até outros tantos com foto de placas onde o escrever se torna cômico, tamanha chacina do português. Lemos e rimos. Mas até onde vai essa graça?
Fico estarrecida com alguns casos. Por isso me encanto tanto com história de pessoas simples que cresceram na vida ( não usaria aqui a expressão subir na vida porque acho que não cabe). História de pessoas que tinham tudo para não dar em nada , e deram em tudo. Pessoas que lidam com a enxada durante o dia e que lêem seus livros na luz opaca do quarto mal iluminado à noite; livros esses que catam no lixo de alguém, ou pegam na biblioteca da cidade. Ou meninos e meninas que se esforçam e até ganham prêmios de soletração em programas de grande audiência. Ao ver onde e como moram, fico assustada. Fica difícil esconder a admiração e as lágrimas. Ao passo que vejo tantos ditos "letrados" se embaralhando com palavras corriqueiras, que se vê até em cartazes de supermercado. Bastaria que lessem com olhos atentos os inúmeros papéis do dia. E se permanece a dúvida, tão fácil resolver: basta teclar e ver o resultado na busca do computador. Perco a conta de quantas vezes já fiz esse trajeto pelo bem saber. Errar é humano, já diz o ditado, mas...
É , certa está "la Torloni". Ignorância é bem mais fácil de curar do que burrice. Burrice vem da pedância de se achar culto. Aprender, da humildade. Quem se põe humilde diante da vida, aprende. E eu, uma apaixonada - se não tarada - pelo conhecimento do outro, pela palavra bem escrita e bem dita, sei bem onde aperta o meu calo. Sei bem qual é meu imã...

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