sábado, 15 de maio de 2010

Jejum



Hoje estou em jejum, de comida e palavras. Talvez um ato impensado, diriam. Mas não. Não como porque não me entra nada, não falo porque iria falar o que não devo. Não como porque nada me apetece (é, já tentei falar isso para meu estômago, que ronca...). Não falo porque nada do que me apetece pode, neste momento, ser falado. E porque nem sempre os ouvidos que devem nos escutar estão atentos. Aliás, quase nunca. Ouvidos que nos são atentos
são ouvidos que nos amam...
Hoje estou em jejum de coisas boas , e com ele, de boas ideias. Acho, pelo menos em mim, que elas vem se estou bem. Não há como se ter boas ideias se se está em jejum de coisas felizes. Meu estomago ronca, minha cabeça dói, meu ombro está pesando, e eu aqui teclando para ver se exorcizo o problema. Ou a tristeza. Engraçado isso - ou deveria dizer triste? As pessoas nos magoam e nós ficamos tristes. Elas ficam bem, e nós, bem mal. Elas dormem, nós apenas ensaiamos tão ato. Injusto, penso. Burrice, melhor dizer. Estou.
Pigarreio. Tem algo na minha garganta. Penso no livro que tanto leio, sobre a forma como o corpo se defende das coisas da vida. E tudo que está relacionado a garganta, ao falar, vem exatamente porque não falamos. Porque não dizemos o que pensamos, não deixamos livre o que está em nosso coração. Aprisionando nossa alma. E prendemos, palavras e sentimentos na garganta, fazendo dela, gaiola.
Mas relembro Vinícius em seu "O dia da criação" e relaxo:
"Hoje é sábado, amanhã é domingo . Não há nada como o tempo para passar".
Tomara passe rápido. Minha boca - e o que sai de dentro dela - são muito lindos para ficarem trancafiados.


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