domingo, 16 de maio de 2010

Lição


Tomo meu café assistindo aquele que é para mim o melhor programa da televisão brasileira: Globo Rural. Como telespectadora de poucos e como crítica de tudo, acho o programa instrutivo para tudo o que há na vida. Falam de cultivos diferenciados a como fazer um bom bolo de fubá. Mostram o viver a vida de forma simples, e nisso, muito a aprender. Tiram do tema o que tem de melhor: a natureza como maior mestra, para tudo.
Enfim. O tema central de hoje foi sobre a doma de cavalos e o uso deles para terapias. Como entrevistado, Monty Roberts, um homem da qual eu nunca havia ouvido falar, mas já admirei. Tinha a simplicidade tão necessária a um domador de cavalos e um dom, só dele, de domar sem violência. E sem mimos, como cenouras (viciam, aprendi), coisas que usamos tanto em nosso mundo "moderno", compensaçõess do que não somos ou não sabemos ou podemos ser.
Roberts falou de sua infância sofrida - apanhava do pai, também domador, com correntes. E se tratava cavalgando, uma prova viva de como a equoterapia funciona. Aprendeu ele a tratar dos animais com carinho, ao invés de seguir o exemplo do pai. Demonstrou como fazê-lo, ali, em frente a grande platéia, inclusive com um animal traumatizado por maus tratos. Não se cansou de falar que violência só gera violência. E que o contrário é ainda mais verdadeiro: amor gera amor. Vimos, ali, como até os animais respondem bem a carinho. Foi incrível ver a emoção do domador à resposta positiva no outro. E da platéia.
Emocionou-me sua simples lição. E as explicações do porque o cavalo - e outros tantos animais - é usado com tanto sucesso na terapia de crianças e adultos com deficiências. De como a natureza é sábia: o animal passa seus tantos estímulos - mais de 2 mil - para seu parceiro enquanto anda. E dá, além disso, lições de confiança, amizade, uma troca sem fim. Dá ao homem o que recebe. Eu sei bem o quanto melhoro ao abraçar um cão...
Quanta coisa a aprender disso. Ação e reação, falam os professores de química e física. Reações ruins trazendo outras tantas. Feito avalanche. Um probleminha aqui pode virar uma tragédia romana lá. Uma palavra mal dita, virar um maldito texto, um discurso sem fim. Eu, otimista até a porta do inferno, prefiro pensar o contrário: coisas boas trazem coisas melhores ainda. Não há como ser imune a um ato positivo qualquer - mesmo que não se perceba fazendo, mesmo que o outro não perceba. Não há como reclamar de um bom sorriso, de um carinho com a mão. Não há como recusar um bom abraço. Se não correspondido, pelo menos passado. Quem sabe vira uma bola de neve de bem querer?
Por isso sigo dando meu melhor. Se não tenho, ainda, as melhores palavras, dou meu silêncio. Uso minha reclusão para repensar, para não cuspir fogo pela boca. Porque lembro que fogo traz fogo, e que uma simples fagulha pode incendiar todo um quarteirão.
Senão uma vida.

Um comentário:

  1. Chegasse a assistir o Globo Repórter de sexta passada?
    Fantastic!!!
    Bj,
    Meg

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