quarta-feira, 26 de maio de 2010

Maratona


Tive um dia super corrido (é, estou eu aqui, as oito horas da noite, tentando desabafar...) em semana já curta (Porto Alegre me espera!). Maratona, aqui e lá.
Fui chamada para uns projetos novos, que me trazem a esperança perdida junto a outros tantos que me deixaram para trás. Junte-se a isso a teimosia de querer andar - quase correr - logo cedo. E as tarefas, por vezes intermináveis, de ser mãe. Tenho essa mania, triste, mas minha, de deixar tudo para fazer num dia só. Um dia de uma lista interminável: acordar, dar café, correr, reunião, costureira, sapateiro, compras, buscar filho, almoçar, trabalhar, cabelo do filho, roupa da festa, livraria, presente, aula de inglês (Dele. Eu já desisti de aprender). Aproveito o raro momento de silêncio enquanto ele toma banho e escrevo. Melhor: passo meu dia - e eu - a limpo. Vejo que ficaram rascunhos para resolver amanhã.
Ele ri, mas sempre falo que Deus errou no projeto. Mãe deveria ser como o polvo: oito braços. Com tentáculos para segurar as coisas, longos para alcançar outras. E de quebra aquele líquido preto e viscoso para afastar os possíveis "predadores", sejam eles atos do outro ou pensamentos meus. Só não queria aquela cara feia. Nem a cabeça tão grande (quanto maior, mais coisa inútil cabe, feito armário...).
E a cabeça não pára: semana que vem tem mais - médico, veterinária, compras, trabalho, estudo. E amanhã viajo. Mas antes disso, casa ajeitada, comida comprada, geladeira cheia, agenda acertada. Conversa com filho (é , já está na era das festinhas...). Não bebe. Nem aceita. Foge da confusão, da muita gente. E assim vai...Daqui a pouco ele desce e me pede janta. Sentamos, conversamos. Como damos conta, nós, mulheres?
Amanhã vai ser difícil. Amanhã tenho que lembrar também de mim. Fica por último a mala a arrumar, sei lá quando. Ainda bem que já adiantei a unha.
Tem dias que não vejo a hora de sentar no ônibus. E ter, desde ali, por longas nove horas, só, eu e eu. Um desligar dos outros, um pensar mais em mim (mãe não desliga...). Um lembrar que, além de governanta do lar e mãe, sou alguém. Sou mulher. Alguém que espera muito mais da vida do que ela pode querer me dar. E vai, pois estou a conquistar.

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