quinta-feira, 13 de maio de 2010

Paixão


Ainda falando em saberes, sou doida por eles. Outro dia falava de meu sonho de ter tempo só para ler, para estudar. Um período sabático ou ano a fio. Adoro um folhear de livros, saber do que se trata, conhecer o autor. Tirar do livro minhas lições, a forma como o autor escreve, como se expressa diante da vida.
E leio tão pouco perto do que quero saber. Mal de brasileiro, dizem. Serei mais uma? Sem cair na análise dos porquês, abro aqui meu coração. Sou atraída pelo título. Nele, muito do conteúdo, penso, mesmo as traduções e suas transgressões. Depois analiso o resumo, comendo pelas beiradas, enquanto sinto seu cheiro. ( Ah, nada mais perturbador que o cheiro de um livro, antigo ou novo...). Toco suas folhas, sinto meu contato com ele. Deleito-me.
O primeiro namoro é com a capa - tão óbvio, eu, uma ligada no visual, no imediatismo da vida moderna. Depois a rápida leitura das orelhas ( ali, meu primeiro impulso, negação ou interesse). Então, a maciez das folhas, seu toque em meus dedos, sua coloração. Presto atenção até na fonte usada: mostra , para mim, muito do que se quer passar (detesto letras miúdas, embaralham minha mente), timidez ou arrebatamento. Parto, então, ao encontro do autor. Se usa da pedância das difíceis colocações ou se expressa seus pensamentos de forma leve e inteligível. Não gosto de sofrer para ler um livro. Gosto que ele me prenda pela gostosura de o ler, não pela dificuldade de entender. Devoro-o, de me entra bem. Perco a noção do tempo e do espaço. Medito, hiberno, entrego-me sem mediações.
Ah, bons tempos de férias, quando me deixo levar por essa paixão, perdendo a noção das horas!
Só assim, a me ver absolutamente entregue, entendo a colocação de Clarice Lispector:

"Deitada em minha rede com o livro sobre meu colo em extâse purissímo...não sou mais aquela menina com seu livro,mas uma mulher com seu amante..!!"

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