sábado, 1 de maio de 2010

PF


Linda manhã de sábado com cara de domingo, já que é feriado. E, é óbvio, pus-me, cedo, a caminhar, um caminhar sem rumo e sem pressa, como gosto. Um olhar o nada e o tudo. Um notar a vida. E claro, se caminhei, pensei. Primeiro pensei nisso, em como não temos mais folgas. Os shoppings vieram ai para bagunçar. Não se tem mais horário comercial, nem pressa para comprar nada, já que temos escravos a nosso favor por ai, sempre alguém disposto - ou imposto - a trabalhar até a meia noite, ou quem sabe virá-la do avesso. Pela trânsito " a la São Paulo" de ontem, imaginei o "pânico" das pessoas pelo simples se imaginar não comprando nada hoje. Louco isso. E triste.

A cada passada, minha cabeça voa (ops, meus pensamentos, cabeça só tenho uma, ainda bem!) Quem me sabe, bem sabe disso. Meus temas surgem - ou um só, em destaque - ao passo de meus passos apressados. Veio a palavra - e tudo que há incutido nela - desperdício. Suas várias versões. Desperdiçamos comida nos pratos servidos de forma desinteressada. Desperdiçamos água varrendo calçadas como se ela fosse vassoura. Desperdiçamos nosso corpo " andando" o dia todo de carro, sem nem mais lembrar a satisfação que dá quando as pernas são requeridas (ou você já viu alguém triste ao se esforçar?). Desperdiçamos o dia aninhados na cama macia por mais uns minutinhos. Esses e tantos outros desperdícios ditos materiais bem os sabemos, mas, ah, para que se importar? Meu pensamento seguiu a passos rápidos, como minha pressa em cansar. E foi longe...caminhar e pensar.
Desperdiçamos nosso tempo deixando a vida passar sem vivê-la. Desperdiçamos a rara vontade de dizer que amamos pelo deixar para depois, a espera de uma hora mais "propícia" - como se amar tivesse isso. Assim como deixamos para depois a conversa devida. Ou o difícil verdadeiro pedido de desculpas. Desperdiçamos as oportunidades por simples desconfiança. Ou o bom dia bem dado pela timidez. Desperdiçamos a rica oportunidade das boas palavras, aquelas que enriquecem e animam, assim como desperdiçamos a bela oportunidade de ficarmos calados. Desperdiçamos o beijo não dado, às vezes por achar que sempre há tempo. Ah...desperdiçamos tantos verbos...amar, beijar, fazer, sorrir, dizer, compreender, seguir, escutar, viver!
Hoje tenho pressa. Mas não aquela pressa desmedida e estúpida, do fazer por fazer. Tenho pressa da não pressa. Do viver cada passo da melhor forma. Do dar de mim meu melhor. Do me ser por inteira. Mas sem atropelos nem desperdícios. Nem correrias ou trapalhadas. Um limpar o prato do dia, do que a vida tem para me dar. Meu não desperdício.

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