segunda-feira, 17 de maio de 2010

Possibility


Sempre achei que, se estamos chateados, achando nossa vida uma grande armadilha, basta olhar para o lado: sempre há alguém em pior situação.
Uma das coisas que mais chamou a minha atenção na última novela de Manoel Carlos (adoro os diálogos dele...mas, enfim, acabou, e isso me deixa aliviada: mais tempo para ser) era o fechamento do capítulo do dia com um depoimento de quem teria sofrido na vida, ou por problemas de saúde ou por puro preconceito. Culminou com o relato de vida do hoje maestro João Carlos Martins. Um lutador. Pianista, perdeu o movimento das mão por acidente, assalto e , para finalizar, tumor. A vida dizendo não e ele teimando que sim. Ver em seu rosto a emoção da vitória, ah, foi impagável.
E sempre pensei assim. Deve ser por isso que nada me abala muito. Sempre tem gente em pior situação. Basta olhar para o lado. Reforcei a ideia assistindo uma reprise de "Troca de Família", um programa da televisão aberta onde as mães são trocadas por um certo período. Mostrou a troca de uma mulher que tinha tudo na vida - por ter batalhado muito - por uma que não tinha "nada". Vi pouco, mas o pouco que vi deu a nítida sensação de que podemos melhorar. Pelo menos em tudo aquilo que nos achamos aquém de nossas expectativas, sejam elas materiais ou espirituais. E volto a dizer: se temos saúde - do corpo e da mente - o resto se corre trás. Basta perder o medo. Basta levar um susto, como sempre digo e como falou uma das mulheres envolvidas na trama. Ser tirada da zona de conforto, passar por um confronto com a vida ou consigo mesmo. Tudo é válido, tudo nos acorda, tudo nos faz ver a vida de outro ângulo, de outra forma. Um belo balde dágua,
disso precisamos, vez por outra.
Falo isso de carteirinha. Em minhas conversas com meu filho - e são tantas e cada vez mais complexas - tento incutir nele tais valores, do que realmente importa na vida. Se ter ou ser. E de como esses dois lados deveriam estar equilibrados. Em tempos que pais pagam para se sentir melhores, sei bem do que estou falando.
Equilíbrio. Essa é a palavra que tenho procurado. Vejo no ter exagerado, escravidão. Viramos meros administradores, quando não escravos, quando não viciados, cada dia querendo mais. Prefiro, de longe, o ser : ser compreendida, ser notada, ser respeitada. Ser eu mesma e mesmo assim ser amada. Só isso já me dá um gás longe de se acabar. Um gás que me impulsiona a correr atrás do que acredito, do que quero para mim. Ser me faz buscar ainda mais o que sou. Um ter em mim a consciência de até onde posso chegar.
Ou não, sem limites.

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