terça-feira, 29 de junho de 2010

Selo


Recebi um texto sobre a "nova mulher", mais uma reclamação masculina sobre em que nós, mulheres, estamos nos transformando hoje em dia. Que os bilhetes de "eu te amo" viraram mensagens pelo MSN. Que achamos que as flores digitais duram mais. Que preferimos as cartas de amor que nos vêm via e-mail e não mais em papéis escolhidos a dedo. Pensando bem, nem caprichar na letra precisamos mais, enquanto o corretor ortográfico faz de nós, todos, bons alunos. Sei bem das vantagens e desvantagens desse velho e bom amigo na qual teclo agora. Tenho nele um bom e fiel aliado, bem o sei. Resolve desde a comodidade da resposta rápida até o bem achar amigos pelo mundo todo. Longe de mim negar sua versatilidade, sua praticidade e tudo o mais de vantagens que tem. Longe de mim negar seus presentes. Receber, mesmo que de forma virtual, uma mensagem que me faça rir ou chorar, não tem preço. Receber o recado, esperado ou não. O sorriso desejado. Ver na mensagem recebida muito mais do que palavras. Ver nela incutida muito mais que carinho. Ver amor.
Recordei um texto que fiz sobre cartas escritas à mão e o significado que elas tiveram em minha vida. Tive a sorte de merecê-las, penso. Vinham nelas o perfume do amor. Mas não recrimino as novas formas de amar. Como diz a música , "qualquer maneira de amor vale a pena ". Desde que venha de dentro. Desde que seja para mim. Desde que seja sincera. Escrita de qualquer jeito, enviada de qualquer meio, mas que me veja nela. Não a mensagem enviada por enviar. Não a mensagem replicadas a muitos "amores". Não as usados como iscas de mal amar.
Palavras, já disse, são meu ponto fraco.
Palavras, penso, são sempre bem vindas, se enviadas de boa vontade. Se virtuais ou reais, pouco importa, desde que atinjam meu coração. Pode ser uma inédita ou uma apropriação. Uma pergunta ou uma resposta. Uma frase ou poesia. Uma alegoria. Uma sopreposição. Uma confrontação. Uma composição a quatro mãos. Um namoro. Uma paixão. Que me venha duradoura. Quem sabe sou Paula e ele, Bebeto?

Paula e Bebeto
(Caetano Veloso e Milton Nascimento)

E vida vida que amor brincadeira, a vera
Eles amaram de qualquer maneira, a vera
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor vale amar
Pena que pena que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor vale amar
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor valerá

Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito
Qualquer maneira que eu cante esse canto
Qualquer maneira me vale cantar

Pena que pena que coisa bonita, diga
Qual a palavra que nunca foi dita, diga
Qualquer maneira de amor vale o canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá

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