terça-feira, 29 de junho de 2010

Cochilo


Três a zero. Nada como um jogo ganho para deixar um país mais feliz. Copa é isso, deixa a gente meio anestesiado. Nem ligamos mais para as outras notícias dos jornais. Ópio, já disseram alguns. É a nossa nova forma de viver. Entreter e levar. Não importa a crise. Até a Grécia estava lá. O Chile estava lá, com a promessa de levantar a moral de um país. Nós estamos lá porque temos que estar. Afinal, esse é o país do futebol.
Mas um dia isso acaba, vencedores ou não. E ai teremos que voltar nossas mentes para outras coisas, mais "reais". Acho até graça. O país pára. Um clima quase de desespero pela hora chegar. Um clima de pura euforia enquanto a bola rola. Torcemos, todos, cada um a seu modo. Uns pelo país, outros pela glória, outros pelo simples vencer, como se o país fossemos nós. Como se o vencer deles fosse o nosso. Um orgulho emprestado. Anestésico. Ou não. Muitas vezes nem sabemos, ao certo, o motivo. Matar o trabalho, pode ser. Sábado em plena segunda. Meu filho e sua vuvuzela, ontem, torciam pelo Brasil e pela não aula na próxima sexta. Vai saber...
Eu torcia para o jogo não acabar. Queria que durasse uns dias, mais de dez. Minha desculpa para nada fazer. Que não me ouça Dunga, mas dormi no jogo. Fui acordada pela corneta da vez que anunciava o terceiro gol. Gritei, misto de susto e surpresa. Achei graça. Nem lembrava onde estava. Estou usando a Copa como fuga. Ópio. Tenho, ali, meus 120 minutos de paz. 120 minutos de desligamento, já que o mundo ao redor pára e esquece de mim. Nada me cobra, nada me pede. Nem me vê. Sou só mais uma a vibrar. Ou cochilar.
Brincadeiras à parte, e deixando de lado por uns momentos a minha letargia temporal, gosto de futebol. De um bom futebol. Fuga ou não, torço, vibro, grito pelo gol, vai! Quem sabe assim desligo e me deixo levar?

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