quinta-feira, 3 de junho de 2010

Coffe, tea or...


Em pleno almoço de trabalho de equipe do curso de especialização que estou fazendo - mesmo contra a vontade dos que não me querem feliz - falávamos sobre escolhas. A difícil tarefa de escolher entre uma coisa e outra - botas, roupas, entre livros e aquela blusa da vitrine. Entre numa livraria - eu , pelo menos, tarada por livros - e veja como é complicada a coisa. Entre um relógio novo para o pulso - ou a coleção - e aquele lindo para a parede do apartamento novo.
Escolhas. O assunto era esse porque queríamos descobrir os porquês que levam a uma boa compra na loja do cliente a ser estudado. Os porquês da dificuldade de uma mulher escolher entre essa e aquela loja, essa e aquela peça. Ainda mais mães, que tem todo um universo na balança - ela, marido, filhos, casa.
Até que uma colega fala com todas as letras: "difícil escolher entre um namorado queridinho ou um bom amante". Gelei. Não com a frase, nem como o sentido, mas com a forma e lugar, uma mesa repleta de colegas recém conhecidos. Intimidade, ali, servida junto à mesa. Não estava preparada. Como uma streaptease a céu aberto. Ri, para mão perder a amiga. Ela é nova, pensei. Quantas e quantas realmente difíceis escolhas ainda terá pela frente...
Escolhas, sempre tão difíceis. Para mim nunca são se estou compenetrada no assunto, hoje em aprender. Para mim, hoje, fácil escolher entre mais uma bota ou o livro pedido em sala de aula. Mas tudo muda quando falamos de pessoas. Eu, que já fiz muitas sob pressão, sei bem do que falo. Passando agora por uma fase de transição, sei bem quanto pesa. Já fiz escolhas deste naipe na vida e foi fácil resolver depois de um tempo pensando sobre. Não sabia bem o que queria, mas era mestra em saber o que não queria. A cada pedido de "tempo" de namorado, a certeza em mim de que não era ele o tal esperado. Mas quando se está na frente de duas "coisas" que se quer, amor e amor, pesa como chumbo.
Quem quebra a banca?
Porque é tão difícil hoje? Porque não sou mais sozinha no mundo, por mais racional que tente ser. Existe alguém que depende de mim, em maior ou menor grau. Não dá para pegar uma mochila e sair pelo mundo sem lembrar de um filho em formação. Não dá para assumir uma vida como quero se ele não estiver incluso ou, melhor ainda, bem resolvido. E levar de arrasto pelo caminho é deixar para trás os sonhos dele, tantos. Eu feliz, ele nem tanto. Lembrei-me disso ontem em pleno filme (chato!) da Alice, sendo arrastada para uma vida que não era a dela. Fugiu, sonhou, escolheu seu caminho sem titubear. Nos filmes, as coisas funcionam; na vida real, nem tanto.
Por isso falei outro dia sobre vida dupla. Referia-me à vida que quero , minha, que vou chamar de "vida laranja", pela vibração, alegria e energia que me dá - e da qual tenho a mais plena certeza de querer para sempre - e esta , um "levar a vida ", que tenho agora, amarrada a conceitos e predeterminações. Revejo, repenso, calculo, e ainda não dá. Como se abandonasse uma obra inacabada, uma casa linda sem pintura. Muralhas prontas com infiltrações imperceptíveis. O minúsculo furo no dique. Como se algo ficasse para trás. Vem junto o medo da ruína. Ou da sempre reforma até o fim de meus dias. Escuto a risada dele e isso me acalma. Escolhas - ou não - de mães. Melhor esperar.

"Você faz suas escolhas e suas escolhas fazem você"
(Shakespeare)

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