terça-feira, 1 de junho de 2010

Confissão


Tem dias que o dia rende. Caminhar com cachorro, fazer unha, trabalhar, estudar, dar atenção ao filho. Ler e-mails, ler revistas, ver jornal. Dar atenção aos amigos e a quem se ama - e nos ama - de verdade. Pegar na natação, providenciar janta, dar carinho, terminar de ler o livro. Beijo na testa antes de dormir, apagar a luz, desligar a tv. Cuidar do cachorro, agendar o amanhã, a semana que vem. Como damos conta?
Ontem foi assim, hoje a história se repete. E ainda tem as compras (véspera de feriado, arrepio...porque temos que comer?). Um universo de coisas bem feitas, outras nem tanto, e ainda o tempo sempre disponível de me sentir culpada. Não sei se pelos outros ou por mim. Queria mais para mim. Mas sem deixar de lado os outros. Como fazer?
Hoje repenso tudo isso, enquanto vejo que preciso dar um jeito no quarto de meu filho. Fazer desse momento um momento nosso, revendo as coisas, os valores, limpando e arrumando, sempre um bom momento. Nosso. Quem sabe um cinema ou um sorvete por ai? Se esses momentos são importantes - e cada dia mais, dadas as minhas ausências - penso, melhor fazer deles algo entre útil e também especial.
Feriado chegando e sei bem que um tempo só para mim será ainda menor. Talvez me feche em livros, talvez em filmes escolhidos numa locadora. Talvez em sonecas disfarçadas, ali memso, no sofá, com o cachorro entre as pernas. Ou me distraia em minhas longas caminhadas. Valerá o esforço. Semana que vem é curta, viajo, lembro. Lá ,sim, tempo para mim. E para me amar como mereço. E quero. E sou.
Olho o calendário, falta muito, tomara passe rápido. Chato pensar assim, mas assumo minha realidade nada vã. Aqui administro, lá vivo. Aqui levo, lá estou. Aqui dou, lá recebo.
Aqui outra, lá, eu.

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