quinta-feira, 10 de junho de 2010

Deu pra ti


Estou parada aqui em frente à tela faz um bom tempo. Não que não tenha assunto, longe de mim, desse poço sem fundo de textos que me transformei. Muito pelo contrário. A dúvida é exatamente sobre o que escrever. A dúvida pede escolha, e como já disse aqui, elas, as escolhas, são sempre difíceis. Talvez demore mais para pegar no tranco dado ao frio, lá fora e em mim.
Hoje é dia de viajar. Durmo em Joinville, acordo em Porto Alegre. Mais um final de semana com aula. E por estar indo contra a vontade do "dono da casa", nunca é um dia fácil. Primeiro revejo minhas tarefas de "governanta do lar"como uma perfeccionista feminista de sempre. Depois refaço meus passos, como se estivesse indo para um tour na Europa, quem sabe um ano sabático, não um mero já volto. Por fim, jogo na mala o que acho que vou usar. Cada vez menos coisas, dada ao saber que me vem que de que cada dia preciso menos. O que quero de Porto Alegre não precisa de lindas roupas, só quentes e práticas.
Continuo eu em frente ao computador. Já revi minhas tarefas profissionais, está tudo ok. Tarefas da casa , poucas, a concluir. Geralmente faço tudo com tal antecedência que me sobram horas de infinita espera sem ter o que fazer. Melhor assim, detesto atropelos e a nada confortável sensação de " estou esquecendo algo". E espero, ansiosa até, a hora de acomodar-me na já conhecida poltrona do ônibus e ter minhas primeiras nove horas de desligamento.
Estudar para mim tem efeito de meditação. De retiro espiritual, melhor dizer. Desligo-me quase que por completo, não fosse certas obrigações e o interesse materno de saber como vão as coisas. Mas confesso, isso não fica em primeiro plano. Não lá. Não longe. Centro em mim, no que quero, no que estou procurando, o que é muito mais que um simples saber. Muito mais que um simples diploma. Mais que a gostosa sensação de estar realizando um sonho - ou vários. É um mundo a parte, quase perfeito, não fosse a companhia de uma culpa ou outra que topo no caminho. Lá , vivo, não apenas vejo as horas passarem. Lá, sou, não apenas mais uma. Meu encontro comigo mesma. Rio do que me vem à mente já cansada do dia da espera. Relembro a letra da música de uma certa dupla que embalou meus dias de garota: "deu pra ti, baixo astral, vou pra Porto Alegre, tchau!"

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