terça-feira, 8 de junho de 2010

Eu?


Minhas preces foram ouvidas e ontem assisti House - aquele mesmo, o médico excêntrico - na TV paga. Fico encantada como meus ouvidos e alma estão atentos a qualquer movimento.
Para quem não conhece o doutor em questão, recomendo. Tem métodos pouco ortodoxos, diria, mas seu resultado - e ai está o bom das séries e filmes, o final feliz, ou melhor possível - é sempre, também, o melhor possível.
Entre os diálogos da série, sempre cortantes, para não dizer pesados, muita coisa sobre a alma humana. Ontem o tema era culpa. Quem não tem? E mais: o protagonista em questão falava que a culpa só acontece em pessoas super- poderosas, que se acham capazes de resolver todos os problemas do mundo. Ri, para não chorar. Seria verdade, pelo menos em parte?
Super-poderosas mães. No meu caso, agravado por tentar, muitas vezes, ser super-poderosa também na vida. Abrimos nossas asas de coruja e abraçamos o mundão ao redor, seja ele qual for. Eu, doutoranda no assunto, sinto-me, por vezes, culpada até pelo cara que dorme na calçada, ou a criança que pede esmola na esquina. Tenho tentado endurecer, mas ver qualquer pessoa de mais idade mendigando qualquer coisa, de pão a atenção, desmancha qualquer tentativa de melhora de minha parte. Basta um deles cruzar meu caminho e volto à estaca zero.
Não estaria o autor do episódio certo? Não seríamos, nós, mulheres, fadadas a tentativas vãs de salvar o mundo? Basta ver como cuidamos de brinquedos e bonecas desde cedo, embalando e até alimentando, enquanto os meninos destroem os seus, como se isso fizesse parte da brincadeira.
Você não sei. Mas eu peguei meu chapeuzinho e me encolhi no canto de me pensar...

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