segunda-feira, 21 de junho de 2010

Frio


Fiz voto de silêncio neste final de semana, e não foi só aqui. Tinha muita coisa a dizer, mas não sabia como. Não gosto de meus maus momentos. Ou, melhor definir, de não poder ser que eu realmente sou. Minha mãe, sábia, já sabe: meu silêncio diz muito.
Então, recebi uma frase sobre a perda de Salamago - "há coisas que se diz calando". Ele, sempre tão triste, com seu jeito realista de falar. E entendi o que fiz. Nem as risadas pela escolha do filme errado no cinema aliviaram a coisa. Nem dormir no mesmo quarto de meu filho, para esquecer um pouco os desígnios de ser mãe - o que, por vezes, cansa. Ser guerreira sempre, cansa. Ser batalhadora sempre, cansa. Ser forte sempre, cansa. Estar sozinha sem ser, cansa. Ficar calada com tanta coisa para falar me deixa exausta.
O Inverno chegou com toda força em mim. Pegou-me de jeito, mal agasalhada. Seria fácil se fosse esse o problema, bastava uma manta, ou um casaco sobre a blusa. Quem sabe um chá bem quente! Ou uma bela caminhada ao sol (nem ele veio hoje para me consolar!). Mas o frio está dentro, em minha'lma. O frio vem das coisas mal resolvidas. Das não resolvidas. Das esperadas e não acontecidas. Vem da longa espera pela primavera que teima em demorar. Uma primavera de soluções, de amadurecimento. Um renascimento. Um futuro presente.
Aqueço-me da esperança que a Primavera logo chegue. E que venha para ficar. Eu, sempre positiva, ponho a culpa no tempo. Deve ser o dia cinzento. Ou porque é segunda-feira. Quem sabe os hormônios, a noite mal dormida. Talvez sejam meras desculpas. Ou fugas.
Adoço meu chá. Pego a caneca quente entre as mãos. Olho para meu São Francisco de Assis e peço alento. Que ele aqueça meu coração. E que ele me proteja de todo mal.

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