sexta-feira, 18 de junho de 2010

De pantufas


Hábitos, acho que já falei deles. De como pode ser assustador, tê-los ou perdê-los. Volta e meia falo sobre isso com meu filho. Como se uma coisa que virasse hábito fizesse parte de nós. Como se fizéssemos mesmo sem pensar. Dar bom dia, ser gentil, olhar nos olhos de quem se conversa. Lavar ao rosto, mesmo que a água esteja gelada. Lavar as mãos antes e depois de comer, ou de acariciar o cachorro. Hábito de limpar os pés antes de entrar em qualquer lugar, mesmo que supostamente sujo. De comer com a boca fechada. E as tantas e tantas ladainhas que aprendemos em nossa vida e nos seguem a todo lugar. Felizmente. É como se formasse uma espécie de corrente, um salva-vida, um fio que nos ligasse à infância, ao que aprendemos, ao que fomos, ao que somos. Cinto de segurança. Mão. Abraço.
Hábitos, bons ou nem tanto, todos temos. Temos os bons, mesmo que não gostemos. Escovo os dentes e a língua logo que levanto. Detesto, mas o hábito fez disso uma coisa um pouco mais normal, um ter que. Também tenho o hábito de me benzer antes de viajar, mesmo que mentalmente, seja por qual meio for. E olha que nem sou disso. E de pedir proteção para meu filho quando ele sai. E de revisar o dia ao me deitar. Feito rituais. São tantos...
Tenho experimentado me livrar de alguns. Muitos, na verdade. Longe dos olhos do filho, é claro. Dormir na hora de acordar, acordar na hora de dormir. Tomar café antes de escovar os dentes e até de me olhar no espelho ( se me olhar, lembro de quem sou e volto à rotina...). Comer deitada na cama, assistindo TV. Dormir com a televisão ligada, a luz acesa, assim mesmo, sem rituais. Sem tomar banho, a não ser o do prazer. Levantar de pijama e assim ficar até decidir onde ir e se. Almoçar bem depois da hora de sempre. Ou nem. Comer pizza as dez da manhã ou antes. Quem sabe com uma coca-cola. Amarrar o cabelo sem nem escovar, por um chinelo para sair para caminhar. Tomar café antes de dormir.
E tenho feito boas descobertas. Que o sono vem quando ele quiser. Que a soneca é bem vinda no meio da manhã. E que se fica bem mesmo sem dormir as recomendadas tantas horas. Que sobrevivo sem mamão no café da manhã. Que pizza é boa qualquer hora do dia, mesmo fria. Que almoçar no final da tarde economiza tempo, um tempo que aproveitamos para bem viver. Que maus modos podem ser divertidos. Que regras são boas e culpas também, para nos manter no prumo, mas que deixá-las num canto quando se quer é melhor ainda. Que é bom desfrutar a vida ao invés de só levar.
Descubro que quando se está de bem, mal não tem. Ainda mais de pantufas...

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